terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Franciscano do dia - 17/01 - Bem-aventurado José Nascimbeni


Sacerdote da Terceira Ordem (1851-1922). Fundador das Irmãzinhas da Sagrada Família. Foi beatificado por São João Paulo II em Verona, em 17 de abril de 1988. 

José Nascimbeni nasceu em Torri del Benaco (diocese e província de Verona) em 22 de março de 1851. Seu pai era carpinteiro e sua mãe dona de casa. Família modesta economicamente, mas muito religiosa.

Fez os estudos elementares em sua terra natal e depois continuou no Seminário diocesano, tendo sido ordenado sacerdote em 9 de agosto de 1874. Foi mestre e vigário cooperador em São Pedro de Lavagno, em seguida em Castelletto, onde veio a ser pároco. 

Durante 37 anos exerceu essa função, desempenhando uma intensa atividade pastoral e social, sobretudo em favor dos jovens, dos doentes e pobres. Teve um especial cuidado para com os enfermos, aos quais levava os sacramentos.
Durante a primeira guerra mundial se pôs a serviço de assistência aos soldados. Para atender às necessidades do povo pelas obras de caridade espiritual e corporal, fundou em 4 de novembro de 1892 as Irmãzinhas da Sagrada Família com a colaboração da serva de Deus, Maria Dominga Mantovani.

Em 31 de dezembro sofreu uma hemiplegia esquerda enquanto celebrava a Eucaristia, enfermidade esta que aceitou com paciência e fé até 21 de janeiro de 1922, quando veio a falecer. Tinha 71 anos de idade. Suas últimas palavras foram: “Viva a morte, porque é o princípio da vida”!

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Franciscano do dia - 15/01 - Beato Marcelo Espínola e Mestre


Cardeal-arcebispo de Sevilha, da Terceira Ordem (1835-1906). Foi co-fundador das Escravas do Divino Coração e beatificado por São João Paulo II em 29 de março de 1987. 

“O arcebispo mendigo” era assim chamado pelo seu amor franciscano à pobreza e pela caridade inesgotável para com os pobres. Nasceu de nobre família, em São Fernando. Seguiu os ensinamentos de seu pai, doutorando-se em jurisprudência. Em Huelva abriu um escritório para atender gratuitamente os pobres. Deixando a profissão de advogado, entrou no Seminário de Sevilha e recebeu a ordenação sacerdotal em 1864.

Como capelão e logo depois como pároco, demonstrou um grande zelo pastoral, dedicando-se maior parte do tempo no ministério da reconciliação. Foi nomeado em 1879, cônego da catedral de Sevilha e mais tarde bispo auxiliar da mesma arquidiocese. Promovido bispo de Coria-Cáceres em 1884, desenvolveu intenso apostolado, visitando as áreas mais pobres da Espanha.

Transferiu-se para a diocese de Málaga e dez anos mais tarde tornou-se arcebispo de Sevilha. Pio X o fez cardeal em 1905. Morreu em Sevilha aos 71 anos de idade. Distinguiu-se por seu zelo infatigável pela salvação das almas, espírito de oração, intensa mortificação e sua atitude paternal para com os sofredores e marginalizados.

De caráter sensível, humilde, alegre, foi um verdadeiro franciscano, profundo imitador de Cristo. Dele se pode dizer: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu, me enviou a anunciar aos pobres a boa nova, curar os corações aflitos” (Lc 4,18).

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Franciscano do dia - 14/01 - Beato Odorico de Pordenone


Sacerdote missionário da Primeira Ordem (1265-1331). Seu culto foi aprovado por Bento XIV em 2 de julho de 1775. 

Nascido em Villanova de Pordenone, Odorico foi um tipo de Marco Pólo, de hábito, viajando em benefício das almas. Antes de pedir permissão para ir ao Oriente como missionário, havia levado uma vida eremítica. Humilde e penitente, foi rigoroso e silencioso. Vestia uma túnica marrom, caminhava descalço e se alimentava de pão e água, preparado para a sua missão.

Sua viagem foi difícil e longa, durando 33 anos. Chegou na Armênia, atravessando a Pérsia e em Ormuz embarcou novamente para chegar na Índia. Ali conheceu as relíquias de quatro franciscanos martirizados. Finalmente chegou a Zaiton, no sul da China. Nesse lugar, Frei Odorico sentiu-se em casa. Fazia quase um século que os Irmãos Menores não tinham ido ao Oriente.

Odorico realizou mais de vinte mil batizados, porém, o velho arcebispo quis que o frade regressasse à Itália para contar ao Papa a situação do Oriente e para pedir novos missionários para a extensa diocese. Odorico se pôs a caminho por terra e em dois anos estava de regresso a Veneza, indo de imediato ao Papa am Avignon, mas em Pisa ficou doente gravemente.

No Convento de Pádua, falou ao seu confrade a respeito da sua viagem e as atividades dos missionários franciscanos no Extremo Oriente, que deveria ser dito ao Papa. Odorico veio a falecer no Convento de Udine, em 14 de janeiro de 1331, com 66 anos de idade. Outros franciscanos missionários partiram para Kambalik para prosseguir a obra apostólica iniciada e desenvolvida pelos invictos pioneiros do Evangelho.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Artigo - OFS: Para onde sopram os ventos (Continuação)


Por Frei Almir Guimarães

1. Para que o amanhã da Ordem Franciscana Secular tenha força e vigor será fundamental que as pessoas que nela ingressem tenham clareza a respeito de um chamamento, de uma vocação. Não se trata de inscrever-se numa pia associação de fiéis de boa vontade, apenas desejosos de rezar juntos. Trata-se de pessoas que, depois de um certo discernimento, chegaram à conclusão de que podem chegar a uma santidade de vida e dar uma colaboração efetiva à Igreja e ao mundo ingressando nas fileiras de uma fraternidade franciscana. De alguma forma, trata-se de uma consagração da vida a Deus e aos irmãos. São pessoas que experimentam o Evangelho como algo que tem que ser vivido em profundidade. Com sua opção e escolha “fazem diferença”.

2. Os que começam sua caminhada na OFS e nela progridem são pessoas que desejam iluminar a sua vida com a claridade do Evangelho. Leitura, meditação, jogo de movimento entre leitura das páginas, encontro com Cristo e a vida. Tais pessoas desejam ser discípulas e missionárias. O documento de Aparecida fala dos discípulos missionários: sentam-se à mesa ou aos pés do Mestre e estão sempre com a bagagem leve pronta para ir, para tornar a o amor amado. São pessoas que se deixaram fisgar pelo Evangelho. O amanhã da OFS tem que ser feito por contemplativos em ação. Os que nos vêm têm o direito de os perguntar: “O que vocês fazem?”

3. O amanhã da OFS é feito de pessoas muito conscientes de que morreram com Cristo em sua morte e com ele ressuscitaram na manhã de Páscoa. Renovam seu batismo, vivem intensamente as festividades pascais. Adentram-se no mistério pascal. Depois de um certo tempo de estudo e de discernimento fazem uma profissão que nada mais é do que uma retomada do batismo que receberam mas talvez sem dele terem consciência. Profissão livremente feita, compromisso, fidelidade à palavra dada, para sua santidade, serviço da Igreja.

4. A OFS terá futuro na medida em que se preocupar com o cultura do encontro: no seio da fraternidade, no ambiente paroquial (proximidade), com os diferentes, os vizinhos, pessoas de outros credos, encontro com os que mais sofrem. A vida dos franciscanos seculares é sala de encontros.

5. O amanhã da OFS será vigoroso precisamente na medida em que encontrarmos novo tônus para nossos encontros:

   • Reuniões mensais de alta qualidade, não longas, mas densas e que sejam, de fato, tonificantes.
   • Reuniões e encontros em que se haverá de discutir e estudar assuntos da atualidade, questões quentes e polêmicas, aprofundamento da fé. Precisamos ser cristãos adultos e não daqueles que se fanatizam por modismos.
   • Alguns de nossos encontros serão realizados com a presença de familiares. Pensamos em reuniões especiais, abertas, algumas vezes por ano.
   • Nossos encontros terão constantemente presença da fraternidade de JUFRA, sem o que, seremos rios paralelos que não se encontram.

6. Nossos eventos e encontros serão marcados por alegria que não quer dizer arruaça. A presença da música bela, de jovens que cantam é de suma importância. Um apostolado sempre válido é das pessoas que não ruminam ressentimentos e tristezas, mas se mostram contentes e alegres.

7. Não podemos imaginar o amanhã de nossos regionais sem sólidas lideranças. O líder é aquele que se impõe por seu exemplo, seu caráter, seu temperamento marcado pelo ânimo, pela confiança no amanhã, nos outros, na fraternidade. Nossos irmãos precisam frequentar cursos, assumir responsabilidades em diferentes níveis para poderem, na força do Espírito, levar a Ordem para paisagens novas.

8. O amanhã da OFS será risonho se for constituído de pessoas que alimentam e cultivam intimidade com o Senhor, isto é, pessoas que têm uma vida de oração pessoal, que adotam a prática da meditação frequente, da leitura dos santos místicos da Ordem como Boaventura e outros.

9. A OFS não se constitui como um grupo de casais ou de famílias. É aberta a todos: solteiros, casados, viúvos. Temos o direito de imaginar que as fraternidades de amanhã tenham um número razoável de casais. Estaremos assim dando nossa colaboração para formar Igrejas domésticas com as cores evangélico-franciscanas. Poucas espiritualidades são tão propícias para a formação de novas famílias em nossos tempos.

10. Na medida em que nossas fraternidades franciscanas seculares estiverem antenadas no ar do tempo, desejosas de maneira bem prática de dialogar com esse mundo terão chances de seres espaços buscados e apreciados. Em reuniões, encontros, os franciscanos seculares haverão de buscar refletir sobre certas sombras: indiferença, superficialidade, consumismo, relativismo, falta de cuidado com nossa casa comum, política, atenção especial a ser dada aos mais frágeis. Seremos um laicato profético, questionador, atuante. O lugar dos franciscanos seculares não é a sacristia, mas o mundo.

11. Fazemos agora um elenco de posturas evangélico-franciscanas que precisam estar estampadas na vida dos franciscanos seculares e que, automaticamente constituem propaganda vocacional e renovação das fraternidades:

• postura de simplicidade;
• sensibilidade para com o irmão (amar como uma mãe que ama seu filho);
• não querer sobrepor-se aos outros;
• não extinguir o Espírito;
• trabalhar e a agir sem perder o espírito da santa oração;
• ir pelo mundo e, ao mesmo tempo, ter saudade do eremo;
• exercitar-se na práxis da desapropriação;
• saber extasiar-se das coisas simples: a beleza de uma criança, o encanto da natureza e a delicadeza de um ninho de beija-flor;
• saber levar as coisas ao fundo do coração como Maria;
• aderir ao projeto pastoral do Papa Francisco, colocando-nos numa Igreja em saída.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

Santo franciscano do dia - 13/01 - São Francisco de São Miguel



Mártir no Japão, religioso da Primeira Ordem (1543-1597). Canonizado por Pio IX em 8 de junho de 1862. 


Nasceu na Diocese de Palência, na Espanha, em 1543, de uma família profundamente religiosa. Desde pequeno se distinguiu pela piedade, modéstia, pureza e amor à oração.
Em 1556 vestiu o hábito de São Francisco, na Ordem dos Frades Menores. Em sua humildade preferiu ser irmão, feliz de poder se dedicar aos serviços da casa, exercendo-os com alegria.

Desejoso de maior austeridade, pediu para ser admitido na Província de São José, fundado pelo asceta São Pedro de Alcântara. Teve uma grande sede do martírio e de dedicar sua vida à obra da evangelização. Foi designado como companheiro de São Pedro Batista para a viagem ao México e Filipinas. Na sua última missão, mesmo não sendo sacerdote, recebeu a tarefa de pregar o evangelho na Província das Ilhas Canárias, onde pela palavra, confirmou grandes prodígios, desencadeando inúmeras conversões.

No Japão, trabalhou muito pela conversão dos japoneses. Em 9 de dezembro de 1596 foi detido em Osaka e mudado para Meaco, onde teve a sua orelha esquerda cortada. Junto com os seus companheiros em Nagasaki, foi crucificado. Tinha 54 anos de idade. A execução do martírio foi presenciado por inúmeros cristãos e marinheiros portugueses.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Artigo - OFS: Para onde sopram os ventos?


Por Frei Almir Guimarães

1. É curto o espaço entre nosso nascer e o fim de nossa aventura existencial. Tudo passa depressa. Passamos nós, passa o tempo, passam todas as coisas, passam as pessoas e passam as modas. A criança começa a caminhar, falar e viver. Vem o tempo da juventude, tempo dos projetos e depois das concretizações. Chega o tempo da maturidade. Todos sentimos que a vida vai se escoando por entre nossos dedos. Podemos viver por viver. Podemos simplesmente viver pelo fluir dos acontecimentos ou dar um sentido aos dias que se sucedem: casamento, família, trabalho profissional, cuidado pelos parentes mais próximos, educação dos filhos, saúde e doença, vida e morte. Entre o momento que não existíamos e aquele em que seremos levados ao cemitério ou ao crematório aconteceu a vida, a nossa vida, que ninguém pode viver em nosso lugar.

2. Somos católicos. Não queremos que o adjetivo “católico” seja para nós simplesmente um rótulo. Num determinado momento de nossa vida deixamos de viver uma fé herdada, apenas fé de costumes, devoções, ritos e encontramo-nos pessoalmente com Cristo vivo e ressuscitado. Houve uma iluminação em nossa vida. Fomos despertados e quisemos ser, de fato, cristãos, discípulos do Ressuscitado, no seio da Igreja. Vivenciamos como que uma saudade de Deus. E vivemos nossa fé no seio da Mãe Igreja. Procuramos nos interessar pelas coisas da fé e dar nossa colaboração às necessidades da Igreja. Começamos a ser “espetados” pela força nem sempre cômoda do Evangelho.

3. Aconteceu que, por diferentes circunstâncias, quisemos ou viemos fazer parte de uma família espiritual inspirada em Francisco e Clara de Assis, continuando a viver no meio das tarefas da vida e do mundo, não nos tornando religiosos e religiosas com votos. Como nasceu esse desejo de sermos franciscanos seculares? Cada um tem sua história e conhece sua biografia. Há pessoas acreditaram que essa espiritualidade as ajudaria a chegar a uma santidade de vida: “No seio da dita família ocupa posição específica a Ordem Franciscana Secular que se configura como uma união orgânica de todas as fraternidades católicas espalhadas pelo mundo e abertas a todos os grupos de fiéis. Nelas, os irmãos e irmãs, impulsionados pelo Espírito a atingir a perfeição da caridade no próprio estado secular, são empenhados pela Profissão a viver o Evangelho à maneira de São Francisco e mediante esta Regra aprovada pela Igreja” (Regra n.2). Um desejo de santidade, vontade de viver com outras pessoas, fazendo a experiência do “vede como eles se amam”. Houve um tempo de enamoramento, de formação e de assunção de um compromisso alegre, de uma profissão.

4. Regra, reuniões, reflexões, convivência fraterna, tarefas ad intra e ad extra foram alimentando nosso projeto humano, cristão e franciscano. Por detrás de tudo o que foi e vai tecendo nossa vida franciscana está uma presença importante fundamental: o Cristo vivo e ressuscitado. Vivemos em sua presença. Contemplamos seu amor na cruz olhando com Francisco e Clara o crucificado que pede aos dois que restaurem a Igreja com sua vida, Cristo vivo no rosto dos mais desgraçadas como os leprosos, presente no seio da fraternidade. No seio da Ordem queremos ser discípulos do Cristo vivo e ressuscitado. O amanhã da Ordem passa por uma purificação de nossa colocação diante de um Jesus vivo e presente.

5. O amanhã da Ordem Franciscana Secular não acontece com mudanças organizacionais. Depende, antes de tudo, da transformação do coração de cada irmão. Em nossas fraternidades locais somos convocados a viver em estado de conversão, de penitência, de transformação. O amanhã da OFS será viçoso se os irmãos e irmãs forem capazes de alimentar a conversão segundo as orientações do Sermão da Montanha (Mt 5, 1-12). Como se opera e se alimenta a conversão? Vivendo verdade para consigo mesmo, leitura do Evangelho, meditação, retiros, constantes revisões de vida, compreensão nova do sacramento da penitência ou da confissão.

6. Trata-se de um propósito de sair da mediocridade e da superficialidade. Para que nos próximos tempos a OFS tenha significação importante que seus membros tendam explicitamente para a santidade, sem “carolice”. Trata-se de fugir de toda vivência cristã epidérmica, sem profundidade, rotina. Importante o estudo, a leitura espiritual, o abeirar-se das fontes, principalmente dos escritos de São Francisco.

7. A palavra fraternidade é mágica. Não se pode imaginar o amanhã dos franciscanos seculares sem nítidas expressões de estima e de bem-querer. Pensamos aqui na qualidade humana e cristã de nossas fraternidades. As reuniões dos irmãos, mormente a reunião geral, constituem sacramento da fraternidade. O amanhã da OFS depende de vigorosas fraternidades marcadas pela presença de irmãos com espírito de fé. Não se trata apenas de uma mera simpatia, mas da convivência, anos a fio, com irmãos e irmãs que aprendemos a estimar e com os quais fazemos a experiência do “vede como se amam”. A OFS do amanhã será feita na medida em que tivermos reuniões “suculentas”, bem preparadas, bem participadas. Nossos encontros deixarão sempre o gosto de “quero mais”. Vivemos tempos de individualismo, violência e indiferença. A OFS é de amanhã viverá inteiramente a fraternidade-serviço no seio dos irmãos e para fora. Nossa vida fraterna e nossa abrangente compreensão do fraternismo constituem um antídoto do mundo que nos cerca.

8. Vivemos um mundo plural, de questionamentos, de dilaceramentos, perplexidades. As fraternidades OFS serão lugares para discussão dos grandes temas da fé e do mundo. Isso se concretizará em dias de estudo, tardes de mesas redondas, leitura de obras que formem os irmãos para sua ação no mundo e na pastoral.

Continua amanhã…

Santo franciscano do dia - 12/01 - São Bernardo de Corleone


Religioso da Primeira Ordem (1605-1667). Beatificado por Clemente XII no dia 15 de março de 1768 (Decreto de canonização julho 1/2000). 

Bernardo nasceu na pequena cidade de Corleone, na Sicília, Itália, aos 6 de fevereiro de 1605 e recebeu o nome de Filipe Latino ao ser batizado. Seus pais tinham cinco filhos, e eram bastante respeitados por todos, pelos princípios rígidos morais e de cristandade, com um dos filhos sacerdote. 

Consta que seu pai era um sapateiro e curtidor de peles, muito justo, bondoso e caridoso, que acolhia em sua casa os necessitados, dando-lhes condições de banharem-se para depois alimentá-los e vesti-los. Foi nesse ambiente que o jovem Filipe, alto forte e de caráter violento, amante das lutas e armas, se desenvolveu.


Certo dia, ele foi provocado por um rapaz e num momento de ira, bruscamente com a espada arrancou o braço do agressor. Nesse momento, nasceu um novo homem que arrependido pediu perdão ao rapaz, atitude que foi aceita. Depois disso, os dois se tornaram amigos. Desde então modificou sua personalidade encontrando na vida religiosa sua verdadeira vocação, conforme a vontade de Deus, como disse até o momento de sua morte.

Ele deixou sua cidade natal e ingressou para o noviciado no convento de Caltanissetta em Palermo. Alí abraçou plenamente seu novo caminho tornando-se irmão leigo da Ordem terceira dos frades menores capuchinhos, no dia 13 de dezembro de 1631, adotando o nome de frei Bernardo.

Trabalhando como cozinheiro, viveu no mosteiro uma existência simples e humilde. Mas além dessa função, Bernardo se dedicava aos doentes como enfermeiro e tratava inclusive dos animais enfermos, pois na sua época eles eram muito úteis para a sobrevivência das famílias. Bernardo enriquecia ainda mais sua vida espiritual, fazendo penitências, mortificações e longos períodos de orações para o bem da comunidade, demonstrando assim sua personalidade forte, agora impregnada de um profundo amor por toda a humanidade.

Ele desenvolveu, uma forte paixão pela Eucaristia, que recebia todos dias. Quando se encontrava diante do Sacrário, concentrado em oração, o tempo, para ele, deixava de existir e não raro as pessoas se comoviam com a pureza de sua atitude. Além disso, ajudava o sacristão em suas tarefas diárias, para ficar ainda mais perto de Jesus Eucarístico.

Bernardo era muito solidário com seus companheiros frades e com toda a comunidade. Assim, quando ocorria uma catástrofe na cidade, como um terremoto ou furacão, típicos da região, Bernardo ajoelhava-se orando em penitência diante do Sacrário dizendo essas palavras: “Senhor, desejo essa graça!”. O resultado sempre era favorável, pois as calamidades cessavam, poupando uma desgraça maior.

A sua simplicidade se assemelhava aos primeiros e genuínos capuchinhos, nostálgico das origens e fascinado pela experiência da vida de ermitão. Um grande júbilo acompanhava esta sua devoção mariana, cheia de calor, fantasia e festividade, de fato contagiante. O seu amor a Nossa Senhora era incontestável e sublime.

Bernardo, comovia não só por sua extraordinária penitência. Mas porque tinha grande delicadeza e doçura na atenção para com os outros, uma alegria e plenitude de vida que impressionava. Aos frades forasteiros fazia festa, para os pobres estava sempre disponível e para os doentes tinha um coração materno. Assistir-lhes e servir-lhes era a sua felicidade.

Após trinta e cinco anos de vida religiosa, faleceu no dia 12 de janeiro de 1667, em Palermo, onde seus restos mortais repousam na igreja dos Capuchinhos, dessa cidade na Sicília, Itália. Tinha 62 anos de idade. O Papa Clemente XIII o elevou ao altar da Igreja como Beato em 1768. Mais tarde, o Papa João Paulo II declarou Santo Frei Bernardo de Corleone em 2001.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.