quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Franciscana do dia - 23/02 - Bem-aventurada Isabel da França


Virgem da Segunda Ordem (1225-1270). Irmã de São Luís IX. Leão X concedeu ofício e missa em seu louvor no dia 11 de janeiro de 1520. 


Era filha de Luis VIII, Rei da França, e sua esposa Branca de Castela, que com suas notáveis qualidades de piedade, inteligência e energia, soube formar santos também no trono real. A jovem princesa foi iniciada desde pequena na oração e na meditação, numa terna devoção a Deus e a Maria santíssima, e na prática de uma autêntica vida cristã. A escola de virtudes e o exemplo de Branca de Castela deram à Igreja um São Luís IX, Rei da França, e uma Bem-aventurada Branca Isabel. Habilidosa para trabalhos de bordado, ofereceu a várias igrejas trabalhos confeccionados por suas próprias mãos, mostrando assim a sua grande devoção à Sagrada Eucaristia.

Jejuava três dias por semana e sempre se alimentava com parcimônia. Evitava diversões fúteis. Passava os tempos de lazer em companhia do irmão Luís e das damas que tinha ao seu serviço. Visitava com frequência doentes acamados nos hospitais ou nas próprias casas, procurava atender às suas necessidades e incutir-lhes esperança e coragem. Quando por sua vez veio a cair gravemente enferma, a ponto de recear o desfecho mortal, recuperou a saúde graças às orações e aos cuidados de sua santa mãe.

Conrado, filho do Imperador Frederico II, pediu-a em casamento, e tal pedido encheu de alegria sua mãe, seu irmão e até o próprio Papa Inocêncio IV, mas ela declarou que fizera voto de virgindade e de modo nenhum desistiria dessa missão.

Para melhor realizar seu propósito, mandou, em 1261, construir um mosteiro nos arredores de Paris, e para lá foi viver, adotando a regra da Segunda Ordem de Santa Clara. Seguiram-lhe o exemplo várias religiosas que viviam na corte da França. Para essa comunidade ter uma melhor formação franciscana, convidaram a virem juntar-se a elas quatro religiosas de outros mosteiros.

Nesse mosteiro viveu Isabel durante nove anos, celebrizando-o com suas virtudes. Morreu em 23 de fevereiro de 1270, com 45 anos de idade. No momento do seu desenlace, algumas religiosas ouviram cânticos angélicos entoando: “Na paz está sua morada”. São Luís esteve presente no funeral da irmã, e dirigiu palavras de consolação à comunidade de Clarissas.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Papa na audiência: romper a comunhão com a natureza é romper com Deus.



Cidade do Vaticano (RV) – “Se prestarmos atenção, tudo a nosso redor geme: geme a própria criação, gememos nós seres humanos e geme o Espírito dentro de nós, no nosso coração”: palavras do Papa na Audiência Geral desta quarta-feira (22/02), que volta a ser realizada na Praça S. Pedro.

A catequese do Pontífice aos cerca de 10 mil fiéis foi sobre a esperança cristã e a criação. Francisco recordou que Deus confiou a nós a proteção da natureza para que pudéssemos entrar em relação com Ele, reconhecendo nela o seu vestígio. Porém, quando se deixa levar pelo egoísmo, o ser humano acaba por arruinar inclusive as coisas mais belas.  

“E, infelizmente, a consequência de tudo isso está dramaticamente sob os nossos olhos, todos os dias.” Como exemplo, o Papa falou na água, “que nos dá a vida, mas para explorar os minerais, a água é contaminada e se destrói a criação”. Onde tudo remetia ao Pai Criador e ao seu amor infinito, agora traz o sinal triste e desolador do orgulho e da voracidade humanas.

O Senhor, porém, não nos deixa sós e também esta quadro desolador nos oferece uma perspectiva nova de libertação, de salvação universal.
“Se prestarmos atenção, tudo a nosso redor geme: geme a própria criação, gememos nós seres humanos e geme o Espírito dentro de nós, no nosso coração”,  prosseguiu o Papa. Esses gemidos não são uma lamentação estéril, desconsolada, mas – como destaca o Apóstolo – são os gemidos de uma mulher prestes a dar à luz; são gemidos de quem sofre, mas sabe que está para chegar uma nova vida. “E no nosso caso é realmente assim.”

O cristão não vive fora do mundo, sabe reconhecer na própria vida e naquilo que o rodeia os sinais do mal, do egoísmo e do pecado. É solidário com quem sofre, com quem chora, com quem está marginalizado, com quem se sente desesperado. Ao mesmo tempo, porém, o cristão aprendeu a ler tudo isso à luz da Páscoa, com os olhos de Cristo Ressuscitado, e sabe que o presente é tempo de expectativa, tempo animado por um anseio que vai para além do presente.

Na esperança, sabemos que o Senhor quer curar definitivamente, com a sua misericórdia, os corações feridos e humilhados e aquilo que o homem deturpou com a sua impiedade, tudo regenerando num mundo novo e numa humanidade nova reconciliados finalmente no seu amor.

A mensagem final do Papa foi de esperança: “Quando somos tentados pelo desânimo, pelo pessimismo, caindo em inúteis lamentações ou ficando sem saber que pedir ou esperar, vem em nosso auxílio o Espírito Santo, que mantém vivos os gemidos e anseios do nosso coração. O Espírito vê, por nós, para além das aparências negativas do presente e revela-nos já agora os novos céus e a nova terra que o Senhor está preparando para a humanidade”.
Ao final da catequese, o Papa assistiu a uma apresentação circense.

 Ao saudar os grupos presentes na Praça, Francisco fez um apelo especial em prol do Sudão do Sul:
“Provocam particular apreensão as dolorosas notícias que chegam do martirizado Sudão do Sul, onde a um conflito fratricida se une uma grave crise alimentar, que condena à morte por fome milhões de pessoas, entre as quais muitas crianças. Neste momento, é mais necessário do que nunca o empenho de todos a não ficar somente nas declarações, mas a tornar concretas as ajudas alimentares e a permitir que possam chegar às populações sofredoras. Que o Senhor ampare esses nossos irmãos e os que atuam para ajudá-los."

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Santo franciscano do dia - 21/02 - São Leão Karasuma


Mártir no Japão, coreano, da Terceira Ordem Franciscana (+1597). Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862. 


Leão Karasuma foi o primeiro franciscano da Terceira Ordem no Japão e não tardou a ser um dos mais ativos e dinâmicos cooperadores da missão. Natural da Coréia, descendente duma família nobre, foi encomendado aos sacerdotes budistas pelos pais, para o educarem na sua religião, e chegou e ser um budista. Como tal, foi forte inimigo dos cristãos, ameaçando todos os que, diante dele, se atrevessem a mencionar o nome de Cristo ou a anunciar a sua boa nova. Perseguia os cristãos por todos os meios.

Deus, porém, querendo fazer dele um vaso de eleição, como outrora acontecera com Saulo de Tarso, no caminho de Damasco, dispôs que Leão se transferisse da Coréia para o Japão. Ali aconteceu encontrar-se com um cristão intrépido, que lhe falou de Cristo, do evangelho e da religião cristã com entusiasmo e ousadia. Lentamente, seus olhos foram se abrindo à verdade, e descobriu a divindade de Cristo e a beleza da fé cristã.

Pouco depois chegaram a Meaco os irmãos provenientes das Filipinas, e Leão foi conquistado pelo seu estilo de vida, sobretudo pela pobreza e simplicidade, e pelo ardor da sua pregação evangélica. Depois de prolongada preparação, recebeu o batismo e demais sacramentos, ingressou na Terceira Ordem e tornou-se assíduo colaborador de São Pedro Baptista.

Dirigiu, como técnico, a construção de igrejas e conventos, hospitais e outros edifícios destinados à assistência social. De vez em quando se fazia de arquiteto ou de trabalhador manual das construções. Por conhecer diversas línguas, muitas vezes serviu de intérprete.

O seu exemplo de atividade dinâmica causava muito boa impressão nos pagãos, que se convertiam, e nos cristãos, que o ajudavam nas suas tarefas. Converteu muitos fiéis, entre eles seu irmão mais velho, que veio a ser seu companheiro no martírio. Preso a 31 de dezembro de 1596, foi martirizado em Nagasaki em 5 de fevereiro do ano seguinte, com mais 25 companheiros. Todos foram, em conjunto, canonizados por Pio IX a 8 de junho de 1862.


Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola. 

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Santo franciscano do dia - 19/02 - São Conrado de Piacenza


Ermitão da Terceira Ordem Franciscana (1290-1351). Urbano VIII aprovou seu culto como santo, no dia 12 de setembro de 1625.


Conrado Confaloniéri nasceu em 1290. Nobre, rico, feliz no casamento, era aficionado pela caça. Um dia em que andava com outros caçadores perseguindo uma presa, vendo-a embrenhar-se num espesso bosque onde lhe era impossível penetrar, resolveu lançar fogo no matagal, para escorraçar o bicho. Sucedeu, porém, que o incêndio não pôde ser extinto nem controlado, alastrando-se e destruindo muitas colheitas e granjas das redondezas. 

Conrado e os cúmplices da façanha entraram na cidade sem serem notados, e não havia nenhuma testemunha que os pudesse acusar dos prejuízos causados involuntariamente. Mas os proprietários lesados denunciaram o caso às autoridades, que fizeram um inquérito e, como resultado, um pobre caseiro, que vivia nas proximidades do sítio onde se ateara o fogo, foi preso e condenado à morte.

Na praça da cidade, pouco antes da execução do condenado, Conrado não pôde resistir aos remorsos da consciência: reconheceu publicamente ser ele o culpado, embora, até certo ponto, involuntário, e assim, salvou uma vida inocente. Foi então ele condenado, não à morte, mas ao pagamento de todos os danos causados. Cumpriu a sentença vendendo todos os bens próprios e os da esposa.

Desta forma, ficaram os dois absolutamente sem nada, numa miséria total. Mas não se desesperaram, e aceitaram mesmo essa provação como um sinal do céu. Separaram-se de mútuo acordo e enquanto a mulher ingressou no mosteiro das clarissas, no convento de Piacenza, ele emigrou para a Sicília e na vizinhança de Noto encetou uma vida eremítica, fez-se terceiro franciscano e viveu em austeridade e oração durante 36 anos, tornando-se famoso pelo rigor da penitência que se infligia. Às sextas-feiras descia à cidade para visitar doentes no hospital e fazia prolongada oração diante dum célebre crucifixo da catedral. Foi agraciado com o dom dos milagres. Após a morte, que sobreveio aos 61 anos, em 19 de fevereiro de 1351, foi sepultado na catedral onde costumava rezar, e aí é venerado, juntamente com São Nicolau de Bari, como padroeiro da cidade.


Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Artigo - Curiosidades sobre a Campanha da Fraternidade


– CNBB
Em alguns dias inicia-se a Quaresma. Com ela, entramos também na Campanha da Fraternidade (CF), uma ação organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que, este ano, tem como tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e lema: “Cultivar e guardar a Criação” (Gn 2,15).
Selecionamos algumas informações importantes sobre o histórico da campanha, os objetivos, ações concretas, que farão ver como os temas estão sempre ligados ao que o povo de Deus vive no Brasil.

A inspiração dos temas da CF está sempre ligada a problemas concretos pelos quais a sociedade passa. A ideia começou no início da década de 1960, quando padres da Cáritas Brasileira idealizaram um fundo para realizar, como Igreja, atividades assistenciais. O embrião da Campanha que temos hoje ocorreu, pela primeira vez, na Quaresma de 1962 em Natal (RN). Cresceu aos poucos e ganhou o apoio de organismos nacionais e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Foi sob a atmosfera do Concílio Vaticano II que a ideia da Campanha da Fraternidade amadureceu e ganhou forma. “Ainda que, na Igreja, nem todos sigam pelo mesmo caminho, todos são, contudo, chamados à santidade” (Lumen Gentium, n. 32). A grande novidade do Concílio (convocado em 1961 e finalizado em 1965) foi fundamental para que a CF tivesse seu formato definido e amparado teologicamente. Havia ali, naquela época, uma urgência de unidade e missionariedade na vida da Igreja. 

 A Campanha da Fraternidade, no modelo que conhecemos hoje, aconteceu pela primeira vez em 1964 e teve o tema: “Campanha da Fraternidade” e o lema: “Lembre-se: você também é Igreja”. A ideia central era colocar os fiéis em uma posição protagonista diante das obras sociais mantidas pela Igreja.

Ao longo dos mais de 50 anos de história, percebe-se uma intensa ligação entre os temas da CF e a realidade contemporânea. Ao observarmos as fases, fica evidente essa comunhão: nos primeiros anos (1964 a 1972), um caminho de renovação interna, das estruturas e também da mentalidade do povo de Deus. Com início em um ano marcado por revoluções políticas e sociais, os temas seguiram um ritmo de “responsabilidade com o outro”, “reconciliação” e “ser Igreja”. Já na segunda fase, até 1984, a direção vivida foi de denúncia de injustiças como o trabalho escravo, assistência à saúde e o chamado à liberdade do amor. De 1985 até hoje, os temas têm se voltado às realidades existenciais do Brasil: fome, desemprego, a importância da família, drogas, aborto e os males da falta de cuidado com o meio ambiente.

O gesto concreto da Campanha é realizado na coleta da solidariedade. Esta coleta acontece no Domingo de Ramos. Todas as comunidades cristãs católicas e ecumênicas do Brasil se unem neste esforço e arrecadam para o Fundo Nacional de Solidariedade e os Fundos Diocesanos de Solidariedade. 60% dos recursos são destinados ao apoio de projetos sociais da própria comunidade e 40% dos recursos são revertidos para o fortalecimento da solidariedade entre as diferentes regiões do país.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Artigo - O grito de Francisco continua ecoando.



Por Frei Almir Ribeiro Guimarães, Ofm

“É isto que eu quero, isto que desejo de todo o coração!”  Este foi o grito de Francisco depois de ter ouvido o Evangelho do envio dos apóstolos, dois a dois, despojadamente, pelo mundo afora.

 Vamos pedir a Frei Antonin Alis, OFMCap, que nos introduza  no mistério de Francisco:“Por sua exclamação, por seu gesto, Francisco nos convida a levar a sério o  Evangelho.  Antes de tudo numa atitude de verdade com respeito a si mesmo e com o que percebe como  vontade de Deus  para com ele  é que ele agir . O que deve ser feito é aquilo que manda o Evangelho. Uma tal evidência provém do mais profundo de seu ser.

 Abandonando a tudo, começa ele a palmilhar o caminho da conversão. Despoja-se antes de tudo dos bens exteriores, conservando apenas o essencial.  

Progressivamente depois vai se despojar de seu orgulho,  suficiência e  narcisismo. E isso vai durar todo o tempo de sua vida. Começará a percorrer um caminho de serviço, de minorismo, de fraternidade, de tal sorte que vai abandonar todo desejo de poder, de dominação  sobre o que quer que seja, imitando assim Cristo servo. 

Vai se abrindo à ação do Espirito Santo e a seu santo modo de operar, transformando-se a partir do interior. Um tal despojamento, desencadeado  pela escuta da Palavra  vai durar até o final de seus dias, nu sobre a terra nua.  Lentamente, a Palavra nele germina e se torna tão fecunda que faz com que se identifique com seu Senhor e Mestre;  lentamente a Palavra se torna fecunda para os outros, para todos os o escutam e veem  o trabalho do Espírito nele.  

Testemunha,  Francisco o é antes de tudo porque deixa a Palavra transformá-lo por inteiro.  Por tudo isso, ele experimenta a alegria, a verdadeira alegria,  a alegria perfeita que o plenifica e faz com que ele transborde em ação de graças” (Évangile Aujurd’hui, n. 205,  p.  38).

Os franciscanos de hoje, nas novas condições do mundo, buscam escutar o Evangelho com todas as veras de seu coração  não se deixando  instalar nas penúltimas realizações  mas tendo os olhos fixos nesse amanhã  que o  Evangelho pode descortinar.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Papa na Audiência: a esperança cristã é sólida, não decepciona.



Cidade do Vaticano (RV) - A esperança não decepciona: este foi o tema da catequese do Papa Francisco, na Audiência Geral desta quarta-feira (15/02), na Sala Paulo VI, no Vaticano.

Na catequese baseada na Carta de São Paulo aos Romanos, o Pontífice ressaltou que “desde pequenos nos é ensinado que vangloria-se não é uma coisa bonita. Está certo, pois gabar-se do que se é ou do que se tem, além de uma certa soberbia, traz consigo uma falta de respeito pelos outros, especialmente pelas pessoas desfavorecidas”.

Abundância da graça

Nessa passagem da Carta aos Romanos, o Apóstolo Paulo nos surpreende, pois por duas vezes nos exorta a vangloriar-nos. Mas, do que é justo nos vangloriar? Como é possível fazer isso sem ofender, sem excluir ninguém?, perguntou o Papa.
Segundo Francisco, no primeiro caso, somos convidados a nos vangloriar da abundância da graça de Deus que recebemos de Jesus Cristo. 

“Paulo quer nos fazer entender que, se aprendemos a ver os acontecimentos à luz do Espírito Santo, percebemos que tudo é graça! Se prestarmos atenção, quem age na história assim como em nossa vida, não somos nós sozinhos mas é sobretudo Deus. Ele é o protagonista absoluto que cria todas as coisas como um dom de amor, que tece a trama de seu desígnio de salvação, levado à plenitude em Jesus. Quando acolhemos com gratidão essa manifestação do amor de Deus, experimentamos uma paz que se estende a todas as dimensões de nossa vida: Estamos em paz com nós mesmos, estamos em paz na família, em nossa comunidade, no trabalho e com as pessoas que encontramos a cada dia em nosso caminho”, disse ainda o Papa. 

Misericórdia de Deus

“O Apóstolo nos convida também a nos ufanar de nossas tribulações. Isso não é fácil de entender. Trata-se de algo mais difícil e pode parecer que não tenha nada a ver com a condição de paz que acabamos de descrever. Contudo, devemos pensar que a paz que Deus nos oferece não significa ausência de dificuldades, preocupações, desilusões e sofrimentos, mas é um dom que nasce da experiência de sabermos que somos amados por Ele, que sempre nos acompanha e nunca nos abandona. Isso faz com que sejamos pacientes nas tribulações, pois a misericórdia de Deus é maior do que tudo”. 

“Por isso, a esperança cristã é sólida, não decepciona. O seu fundamento não está no que nós podemos ou não fazer, e nem no que podemos crer. O seu fundamento é o que de mais fiel e seguro possa existir, ou seja, o amor de Deus por nós. É fácil dizer: Deus nos ama. Todos dizemos isso. Mas pensem um pouco: cada um de nós é capaz de dizer: Estou certo de que Deus me ama? Não é muito fácil dizer isso. É um bom exercício dizer a si mesmo: Deus me ama. Esta é a raiz de nossa segurança, a raiz da esperança”, sublinhou Francisco.

Vangloriar-se do amor de Deus

“O Senhor infundiu abundantemente em nossos corações o Espírito, que é o amor de Deus, como artífice, como garante, para que possa alimentar dentro de nós a fé e manter vida essa esperança. Deus me ama! Mas neste momento difícil? Deus me ama. E eu que fiz coisas feias e más? Deus me ama. Esta certeza ninguém pode nos tirar e devemos repeti-la como uma oração: Deus me ama. Estou certo de que Deus me ama.”

Agora, compreendemos porque o Apóstolo Paulo nos exorta a nos vangloriar sempre de tudo isso. “Vanglorio-me do amor de Deus, porque Ele me ama. A esperança que nos foi dada não nos separa dos outros, e muito menos me leva a desacreditá-los ou marginalizá-los. Trata-se de um dom extraordinário do qual somos chamados a ser ‘canais’ para todos, com humildade e simplicidade. Então, a nossa maior glória será a de ter como Pai um Deus que não tem preferências, que não exclui ninguém, mas que abre a sua casa a todos os seres humanos, começando pelos marginalizados e distantes, para que como seus filhos aprendamos a nos consolar e nos ajudar reciprocamente”.

Fonte: http://br.radiovaticana.va/