sexta-feira, 10 de março de 2017
Franciscanos do dia - Mártires franciscanos na Etiópia
Sacerdotes missionários franciscanos na Etiópia, mártires da Primeira Ordem.
São João Paulo II os proclamou bem-aventurados na Basílica Vaticana, no dia 20 de novembro de 1998, solenidade de Cristo Rei.
Liberato Lourenzo Weiss, nasceu em Konnersreuth, Baviera, a 4 de Janeiro de 1675. Aos 18 anos fez-se franciscano. Ordenado sacerdote foi enviado como missionário a Etiópia.
Samuel Antonio Francisco Marzorati, nascido em Biuno Superior, perto de Varese, a 10 de Setembro de 1670, fez-se franciscano aos 22 anos a 5 de março de 1792, em Lugano, Suiça. Ordenado sacerdote, depois de um período de apostolado em sua pátria, foi enviado como missionário a Etiópia, onde sofreu o martírio.
Miguel Pio Fasoli, nasceu em Zerbo, perto da Parvia, a 3 de maio de 1676. Feito franciscano e sacerdote, exerceu seu apostolado em sua pátria por algum tempo e depois partiu como missionário para a Etiópia. Sofreu o martírio com os outros dois companheiros.
Estes três irmãos desenvolveram juntos um largo apostolado na Etiópia, no meio de contradições e perseguições. Com a conivência do imperador foram lapidados barbaramente por uma multidão. Antes do martírio fizeram a profissão de fé cantando o Magnificat e saíram ao encontro da morte, depois de terem pregado o Evangelho na Etiópia com a palavra e o serviço aos humildes necessitados.
Em 1716 desencadeou-se a perseguição contra os católicos e os missionários eram aprisionados e incitados a apostatar da fé católica.
Recusando-se, estes beatos foram assassinados em Aba, a 3 de Março de 1716.
Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
quinta-feira, 9 de março de 2017
Santo franciscano do dia - 09/03 - São Luís Ibaraki
Mártir japonês, terceiro Franciscano (1586-1597). Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862.
Luís de Ibaraki, menino de 11 anos, é como a obra mestra pedagógica da escola de São Pedro Batista e de seus coirmãos. Órfão de pai e mãe, tinha vivido com seus tios, que o acolheram em casa como filho. Logo foi recomendado aos santos Leão Karasuma e Paulo Ibaraki, que foram seus preceptores.
Desejando fazer-se franciscano e sacerdote, foi recebido no seminário. Foram seus grandes amigos e colegas de martírio S. Antônio de Nagasaki, de treze anos e Santo Tomás de Kosaki, quinze anos. Sereno, cordial, afável passou como um meteoro de luz. Viveu como um anjo.
Sempre o primeiro na oração, era acólito, cantor, servia com fervor na Santa Missa e ensinava catecismo aos meninos menores que ele, São Pedro Batista, deu-se conta rapidamente de sua boa índole e o mantinha sempre consigo nas celebrações litúrgicas e nas obras de assistência e de evangelização.
Seu fervor suscitava admiração até mesmo nos pagãos. A um nobre que tentou persuadi-lo a afastar-se da fé, respondeu: “Jamais me afastarás de minha fé, que me está muito arraigada. Antes, por que não te fazes cristão? Encontrarás o segredo da felicidade!”
A 3 de janeiro de 1597 começou a difícil viagem até Nagasaki. Em várias cidades foi exposto com os demais à burla do povo. No entanto, muita gente mostrava simpatia pelos mártires, especialmente pelo menino. Em Corazu, no caminho de Nagasaki, o governador Fazamburo tratou de convencer Luís a abandonar a fé e lhe ofereceu riquezas e honras para fazê-lo apostatar.
Ele respondeu que estava feliz por renunciar à sua vida e morrer por Jesus. Nos últimos dias os padres Francisco Pasio e João Rodrigues o assistiram. Recusou uma nova tentativa do governador que o incitava a renegar a Cristo em troca da vida e de riquezas. Ele respondeu: “De maneira alguma abandonarei a este Cristo que me está abrindo as portas do céu e me envia seus anjos para colocar em minha cabeça uma coroa de fúlgida glória. Fica tu com tuas riquezas que não quero. Contento-me somente com as do céu”.
Chegando à santa Colina de Nagasaki, beijou a cruz na qual deveria ser atado e martirizado. Recitou com Antônio e Tomás o salmo: “Louvai, meninos ao Senhor – Laudate pueri Dominum…”. Antes de ser atravessado pelas lanças dos soldados, gritou: “Paraíso! Paraíso!”
Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
quarta-feira, 8 de março de 2017
Dia Internacional da Mulher - SANTA CLARA, MODELO FORTE DE MULHER
Por Frei Vitório Mazzuco Fº
Clara de Assis não é importante somente como a companheira de São Francisco, mas é um forte exemplo do Movimento Religioso Feminino dos séculos XII e XIII. Exerceu uma influência muito grande entre as mulheres de seu tempo a tal ponto que Hortolana, sua mãe, Inês e Beatriz, suas irmãs de sangue, Inês de Boêmia, e tantas mulheres a seguiram. Donato de Besançon foi o primeiro a escrever uma Regra de Vida para mulheres que viviam nos mosteiros; e a partir daí todas as Regras, por assim dizer, femininas, ou compilações de Regras, são feitas por homens.
Clara foi a primeira mulher a escrever uma Regra própria para mulheres. Não temos o original com a chancelaria pontifícia, mas nos restou o texto de Clara com sua limpidez original.
A firmeza de Clara causa certa perplexidade. Ela conduz vidas! Escreve um texto tendo como pano de fundo São Bento e a Regra não Bulada de Francisco; mas não deixa de ser original. Seu tempo é o tempo litúrgico. Seu tema mais importante é a Pobreza.
Clara causa impacto! Pode uma mulher e seu grupo de mulheres viverem sem nada? Podem sim! Se há um intenso amor existe um desatrelamento do jurídico e a entrega à algo mais substancial: não preciso ter nada pois tenho uma riqueza essencial, a capacidade de amar o Amado!
Clara sempre falou mais que Francisco sobre a Pobreza. A sua fraternidade feminina de São Damião viveu radicalmente pobre e esta é a sua original irradiação. Clara pede o direito de não ter nenhum direito; quer ser livre para amar. É como se voltasse às fontes do feudalismo: autogerir-se!
Clara viveu tão coerentemente a sua vida que o Mosteiro passa a ser um lugar de irradiação: não é reclusão entre paredes, mas sim um ideal que voa para o mundo. Um ideal sai pelas frestas de São Damião e ganha corações. Em Clara todos podemos ser de Deus; todos podemos ser nobres de alma através de seu amor. Santa Clara, abençoai todas as Mulheres hoje, no dia dedicado a elas!
EXTRAÍDO DE : http://carismafranciscano.blogspot.com/
Santo franciscano do dia - 08/03 - São Miguel Kosaki de Isco
Mártir japonês, da Terceira ordem (+1597). Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862.
Miguel Kosaki, originário de Isco, Japão, era um fervoroso cristão da terceira ordem; era um ativo catequista no serviço missionário de Meaco. Seu filho, Tomás, viveu com os franciscanos desde a idade de quinze anos, trabalhando como acólito e catequista.
Na perseguição religiosa, Miguel com o seu filho Tomás, franciscanos e outros terciários foram presos e condenados à crucifixão. Enquanto eles subiam a Santa Colina, os cristãos se prostraram diante deles pedindo que não os esquecessem quando chegassem diante de Deus. Uns enxugavam o sangue que escorriam dos condenados; outros se tornavam cristãos e pediam que fossem martirizados.
São Pedro Batista, ao ver a Colina, disse aos companheiros: “Filhinhos, louvemos ao Senhor do céu e da terra. Com alegria, podemos repetir com o apóstolo das gentios: Combatemos o bom combate, chegamos ao fim da carreira, agora nos aguarda a coroa da justiça, que será colocada em nossas frontes pelo Justo Juiz, por amor do qual vamos morrer. Um pouco de sofrimento e logo seremos felizes na companhia dos eleitos!”
Os companheiros responderam: “Amém!” e cantaram hinos de ação de graças ao Senhor. O governador, surpreendido pela alegria dos condenados, dirigiu a São Pedro Batista: “Por que estão eles tão contentes com a condenação à morte na cruz?” Ele assim respondeu: “Para entender isso, será necessário ser também cristão. Cristo disse: Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Os pagãos nunca podem compreender os tesouros da religião de Cristo!”
Então, os mártires subiram para o calvário, mansos como cordeiros, absortos em Deus. Miguel, com o seu filho e demais companheiros, ao chegar na Santa Colina, colocou-se junto à sua cruz, na qual foram atados os pés, mãos e as costas, sendo o pescoço preso por um aro de ferro.
A cruz foi levantada e assim permaneceu à espera do cumprimento do mesmo ritual de todos. As vítimas puseram-se a cantar o “Te Deum” e o bispo abençoou um por um. Os soldados com suas lanças, transpassaram-lhes o coração e abriram-lhes as portas do céu.
Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
segunda-feira, 6 de março de 2017
Santa franciscana do dia - 06/03 - Santa Rosa de Viterbo
Padroeira dos Jovens Franciscanos no Brasil
Santa Rosa de Viterbo é festejada no dia de sua morte, mas também pode ser comemorada no dia 4 de setembro, dia do seu translado para o mosteiro de Clarissas de Santa Rosa, em Viterbo, Itália.
Rosa viveu numa época de grandes confrontos, entre os poderes do pontificado e do imperador, somados aos conflitos civis provocados por duas famílias que disputavam o governo da cidade de Viterbo. Ela nasceu nesta cidade num dia incerto do ano de 1234. Os pais, João e Catarina, eram cristãos fervorosos. A família possuía uma boa propriedade na vizinha Santa Maria de Poggio, vivendo com conforto da agricultura.
Envolta por antigas tradições e sem dados oficiais que comprovem os fatos narrados, a vida de Rosa foi breve e incomum. Como sua mãe, Catarina, trabalhava com as Irmãs Clarissas do mosteiro da cidade, Rosa recebeu a influência da espiritualidade franciscana, ainda muito pequena. Ela era uma criança carismática, possuía dons especiais e um amor incondicional ao Senhor e a Virgem Maria. Dizem que com apenas três anos de idade transformava pães em rosas e aos sete, pregava nas praças, convertendo multidões. Aos doze anos ingressou na Ordem Terceira de São Francisco, por causa de uma visão em que Nossa Senhora assim lhe determinava.
No ano de 1247 a cidade de Viterbo, fiel ao Papa, caiu nas mãos do imperador Frederico II, um herege, que negava a autoridade do Papa e o poder do Sacerdote de perdoar os pecados e consagrar. Rosa teve outra visão, desta vez com Cristo que estava com o coração em chamas. Ela não se conteve, saiu pelas ruas pregando com um crucifixo nas mãos. A notícia correu toda cidade, muitos foram estimulados na fé, e vários hereges se converteram. Com suas palavras confundia até os mais preparados. Por isto, representava uma ameaça para as autoridades locais.
Em 1250, o prefeito a condenou ao exílio. Rosa e seus pais foram morar em Soriano onde sua fama já havia chegado. Na noite de 5 de dezembro 1251, Rosa recebeu a visita de um anjo, que lhe revelou que o imperador Frederico II, uma semana depois, morreria. O que de fato aconteceu. Com isto, o poder dos hereges enfraqueceu e Rosa pode retornar a Viterbo. Toda a região voltou a viver em paz. No dia 6 de março de 1252, sem agonia, ela morreu.
No mesmo ano, o Papa Inocêncio IV, mandou instaurar o processo para a canonização de Rosa. Cinco anos depois o mesmo pontífice mandou exumar o corpo, e para a surpresa de todos, ele foi encontrado intacto. Rosa foi transladada para o convento das Irmãs Clarissas que nesta cerimônia passou a se chamar, convento de Santa Rosa. Depois desta cerimônia a Santa só foi “canonizada” pelo povo, porque curiosamente o processo nunca foi promulgado. A canonização de Rosa ficou assim, nunca foi oficializada.. Mas também nunca foi negada pelo Papa e pela Igreja. Santa Rosa de Viterbo, desde o momento de sua morte, foi “canonizada” pelo povo.
Em setembro de 1929, o Papa Pio XI, declarou Santa Rosa de Viterbo a padroeira da Juventude Feminina da Ação Católica Italiana . No Brasil ela é A Padroeira dos Jovens Franciscanos Seculares. Santa Rosa de Viterbo é festejada no dia de sua morte, mas também pode ser comemorada no dia 4 de setembro, dia do seu translado para o mosteiro de Clarissas de Santa Rosa, em Viterbo, Itália.
domingo, 5 de março de 2017
Santo franciscano do dia - 05/03 - São João José da Cruz

Sacerdote da Primeira Ordem (1654-1734). Canonizado por Gregório XVI no dia 26 de março de 1839.
São João José da Cruz nasceu na ilha de Ischia, a 15 de agosto de 1654, na cidade de Ponte, Itália, filho de José Calosinto e Laura Gargiulo. Seu nome de batismo foi Carlos Caetano Calosinto e seus primeiros estudos foram no colégio dos padres agostinianos, ai mesmo na ilha. Aos quinze anos optou pela vida religiosa, ingressando na Ordem dos Franciscanos Descalços da Reforma de São Pedro de Alcântara, conhecidos também como Alcantarinos.
Devotíssimo da Paixão de Cristo, flagelava-se até se ferir. Tomou o nome de João José da Cruz e fez o noviciado sob a orientação do padre José Robles. Foi o mais jovem dos doze frades que, em 15 de julho de 1674, assumiram a direção do Santuário de Santa Maria de Occorrevole, onde ele resolveu construir um convento.
Diante das dificuldades encontradas no local, ele logo deu o exemplo. Não hesitou em juntar as pedras com suas próprias mãos, depois usando cal, madeira e um enxadão fez os alicerces. Estimulou assim os outros sacerdotes e o povo, que no começo acharam que ele era louco. Em pouco tempo construíram um grande convento. João José da Cruz ordenou-se sacerdote em 1677.
Ao completar vinte e quatro foi nomeado mestre dos noviços em Nápoles e, quase ao mesmo tempo, guardião da ordem do convento. João José da Cruz era muito austero, comia pouco, só uma vez ao dia, dormia poucas horas e tinha o hábito de se levantar de madrugada para agradecer a Deus pelo novo dia. Tornou-se famoso entre o povo por sua humildade e foi venerado ainda em vida pela população por causa de sua extrema dedicação aos pobres e doentes. Seu modelo de vida foi São Francisco de Assis.
Foi eleito provincial no Capítulo de Grumo, em 1703. Abriu muitas casas em Nápoles, atraindo uns 200 religiosos à observância e reorganizou os cursos. Terminado o seu mandato, o arcebispo Francisco Pignatelli o convocou para dirigir 73 mosteiros e retiros, ainda em Nápoles. Semelhante tarefa recebeu do cardeal Inácio Caracciolo na diocese de Aversa. Diversas pessoas ilustres do clero o procuravam para pedir conselhos. Também recorreram a ele São Francisco de Jerônimo e Santo Afonso Maria de Ligório.
Morreu no dia 5 de março 1734, portanto, com 80 anos de idade. Foi beatificado pelo papa Gregório XVI, em 1839. Suas relíquias foram transferidas para o convento franciscano da ilha de Ischia, sua terra natal.
Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
sábado, 4 de março de 2017
CF 2017 -Campanha em defesa dos biomas brasileiros e da vida.
Introdução
1. Quando Pero Vaz de Caminha chegou à costa do território brasileiro, maravilhou-se com tudo o que viu. Descreveu minuciosamente os indígenas, a flora, a fauna e as águas que tinha diante dos olhos. Estava de tal forma maravilhado que, ao final da carta, escreveu literalmente ao rei de Portugal: “Águas são muitas: infinitas. Em tal maneira graciosa [a terra] que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!” (1)
2. Alguns anos mais tarde, após a chegada dos colonizadores, começa a ocupação e exploração do paraíso descrito por Pero Vaz de Caminha. A princípio no litoral. E começa a extração do pau-brasil, a árvore mais abundante que encontraram naquela imensa floresta, cuja tintura extraída era levada para a Europa. A madeira também era utilizada para fabricar móveis e instrumentos musicais. Para realizar esse trabalho, começa a exploração e escravização das nações indígenas, o sequestro de seus territórios, as dizimações por guerras e doenças. Depois vieram os negros, também na linha da mão de obra escrava.
3. Com o caminhar da história, começa o avanço para o interior do nosso imenso território, seja pelo sul do país, pelo Pampa, seja pelos leitos de diversos rios. Então, aventureiros, bandeirantes e outros conquistadores interiorizaram o Brasil. Mais tarde o próprio Imperador chamou cientistas para decifrarem o que se tinha diante dos olhos. Percebeu-se que esse território tem imensa variedades de formas de vida, de florestas, de animais e de povos.
4. Em tempos mais recentes são delimitados e descritos os chamados biomas brasileiros, com suas interfaces e ligações, mas guardando características próprias de cada um. A expressão bioma vem de “bio”, quem em grego quer dizer “vida” e “orna”, sufixo também grego que quer dizer “massa” grupo ou estrutura de vida” (2). Um bioma é “um conjunto de vida (animal e vegetal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria”. (3)
5. Assim, um bioma é formado por todos os seres vivos de uma determinada região, cuja vegetação é similar e contínua, cujo clima é mais ou menos uniforme, e cuja formação tem uma história comum. Por isso, a diversidade biológica também é parecida(4). Há teses de sete e até oito biomas, considerando os manguezais como um deles e outro marinho, mas esse não é o reconhecimento oficial. No Brasil temos seis biomas: a Mata Atlântica, a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal, a Caatinga e o Pampa. Nesses biomas vivem pessoas, povos, resultantes da imensa miscigenação brasileira.
6. Hoje, mais de SOO anos depois da chegada dos colonizadores, seria interessante nos perguntar: O que restou daquela floresta? O que restou daqueles povos? O que restou daquelas águas? O que restou daquela imensa biodiversidade que maravilhava os olhos? O ambiente que vivemos interessa a todos os seres humanos, independentemente de sua religião, credo, ou mesmo sem nenhum deles. Precisamos nos perguntar qual destino estamos dando a tantas riquezas e qual Brasil queremos deixar para as gerações futuras.
7. Nesse começo do 3º milênio, somos uma população de mais de 200 milhões de brasileiros, 80% vivendo em cidades. O impacto dessa concentração populacional sobre o meio ambiente produz dilemas que põem em risco as riquezas naturais. O avanço das tecnologias em todos os campos, tende a distanciar as pessoas dos problemas socioambientais que estão ao seu redor. Os povos que perderam seus territórios, tantas vezes dados por extintos, reivindicam seu lugar na sociedade, sua cidadania, com a prerrogativa de viverem conforme suas leis e suas tradições, sendo plenamente reconhecidos como brasileiros. Além do mais, pertencemos a uma mesma casa comum, condividindo esse planeta com sete bilhões de pessoas e bilhões e bilhões de seres vivos. Somos cidadãos globais. Esse fato implica que a tensão entre a economia e a ecologia se colocou como o maior desafio para a humanidade. É de sua equação harmônica que depende o futuro da humanidade e de todos os seres vivos que habitam a Terra.
8. O Papa Francisco, no início de sua carta encíclica Laudato Sí, diz que escolheu o nome de Francisco também por razões ecológicas. A proposta ecológica do Papa é integral, entrelaçando todas as dimensões do ser humano com a natureza. Para ele, cada criatura tem sua mensagem, que precisa ser respeitada e entendida. Mas todas elas estão interligadas. Toda a Laudato Sí é um hino de espanto maravilhado diante da natureza criada que nos fala de Deus, que é um dom de Deus, da qual nós seres humanos somos parte integrante, mas também seus zeladores e cultivadores. O Papa Francisco também nos coloca diante dos desafios colossais enfrentados pela humanidade, que está em uma verdadeira encruzilhada, em uma mudança de época.
9. A Igreja Católica já há algum tempo tem sido uma voz profética a respeito da questão ecológica. Não apenas tem chamado a atenção para os desafios e problemas ecológicos, como tem apontado suas causas e, principalmente, tem apontado caminhos para sua superação. As Igrejas particulares, Comunidades Eclesiais de Base, Pastorais Sociais, Semanas Sociais Brasileiras, Fóruns das Pastorais Sociais, o Grito dos Excluídos, muito se aproximaram do nosso povo para defender seus direitos e para promover a convivência harmônica com o meio ambiente em todo o Brasil.
10. Vamos, então, de forma simples, abordar cada um de nossos biomas, com seus respectivos povos, sua situação atual, procurar entender suas características e problemas fundamentais. À luz da fé, nos interrogaremos sobre o significado dos desafios apresentados pela situação atual dos biomas e dos povos que neles vivem. No agir, abordaremos as principais iniciativas já existentes para manutenção de nossa riqueza natural básica. Apontaremos propostas sobre o que podemos e devemos fazer em respeito à criação que Deus nos deu para “cultivá-la e guardá-la”.
1. CAMINHA. Carta de Pêro Vaz de Caminha ao Rei de Portugal, 1500. Disponível em: http://www.memorialdodescobrimento.com.br/lingua_portuguesa/carta-de-pero-vaz-de–caminha-ao-rei-de-portugal/. Acesso em: 24/03/2016.
2. BIOMA, 2016.
3. IBGE. Mapa de Biomas e de Vegetação, 2004. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/21052004biomashtml.shtm. Acesso em: 06/04/2016.
4.MALVEZZI. Semiárido: Uma Visão Holística. Brasília: CONFEA/CREA, 2007.
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