quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Especial Santa Clara de Assis - A Consagração.



 Clara chegou à Porciúncula. Francisco a acolheu e lhe deu as boas-vindas. Comovida, ela entrou na igreja, ajoelhou-se diante do altar e, por alguns instantes, deteve-se em oração. Depois, levantou-se com decisão; tirou o calçado, despiu-se do vestido de brocado e o trocou por uma túnica grosseira, retirou seu rico cinto e o substituiu por uma corda áspera.

Em seguida, ajoelhou-se ainda; soltou de uma vez os cabelos que deslizaram sobre os ombros; depois, permaneceu com a cabeça inclinada, à espera do último sacrifício.

Francisco recolheu com delicadeza a loura cabeleira e, bem devagarzinho, a cortou. A cerimônia estava acabada.

A reação dos parentes

Como era de se prever, a reação dos parentes de Clara não se fez esperar. Pela manhã, apenas descobriram sua fuga, puseram-se em pé de guerra e rapidamente chegaram ao mosteiro de São Paulo para reconduzi-la à casa. Ameaçaram arrombar a porta. Querem Clara, viva ou morta. Com o aparato exterior e as ameaças, esperam assustá-la, mas iludem-se! Clara é irremovível. Visto que era vã toda a ameaça, recorrem às boas maneiras, às lisonjas e às promessas; fazem apelo aos sentimentos, à dor da mãe, das irmãs, de toda a família, mas Clara é inflexível; sabe que está mais em segurança entre aquelas paredes do que se estivesse num castelo.

Agarra-se ao altar – Quando se dá conta de que estão a ponto de perder o controle e recorrer à violência, Clara, com um gesto, fez desmoronar todas as ilusões deles: foge para a igreja e corre para junto ao altar; com uma das mãos segura a toalha e com a outra retira o véu da cabeça, fazendo-a aparecer sem os cabelos que haviam sido cortados.

Demonstrava, assim, ser agora consagrada a Deus e que ninguém podia tocá-la. Diante de tanta firmeza, aos familiares outra coisa não restou senão abandonarem a igreja e o mosteiro e partirem confusos.

Transferida para o mosteiro de Santo Ângelo – Em São Paulo, Clara pôde permanecer só poucos dias. Foram talvez as próprias monjas a solicitar o afastamento dela depois da confusão provocada por sua presença.

Francisco interessou-se pela transferência dela. Mais uma vez, dirigiu-se aos Padres Beneditinos e obteve a transferência de Clara para o mosteiro de Santo Ângelo de Panzo.

Finalmente um pouco de paz! – Na quietude e no silencio do mosteiro de Santo Ângelo, Clara pôde revigorar o seu ideal de vida.

Apegava-se cuidadosamente às prescrições da Regra de São Bento, que possui como fundamento: “Ora et Labora”! Com isso, Clara não pretendia, certamente, abraçar a Regra de São Be nto. Não teria tido sentido sua fuga para a Porciúncula, durante a noite, seu total abandono a Deus para além de qualquer estrutura, a exemplo de Francisco.

No mosteiro de Santo Ângelo, Clara viveu por algumas semanas. Foram para ela dias de serenidade e de alegria indescritíveis.

A alegria de Clara estava toda no sentir-se amada e protegida pelo Senhor, como mesmo amor com que uma mãe protege sua filhinha.

A fuga de casa lhe havia fechado o mundo às costas para abrir-lhe um umbral do mistério de Deus. Sua vida, agora, havia se transformado em um arco-íris de oração e contemplação: em um agradecimento alegre e infantil.

Fugira de casa em uma noite de primavera, para abraçar o ideal de total pobreza, e encontrara a verdadeira liberdade, a perfeita alegria. Havia atingido o seu sonho.

Encontra-se com sua irmã Inês

Clara sentia a necessidade de externar sua ardente experiência mística. Quase todos os dias, sua irmã Inês ia visitá-la: era uma jovem belíssima, de somente quinze anos, de grande sensibilidade para com o sobrenatural. Depois da fuga de Clara, os familiares haviam depositado nela sua esperança.

“Cara Inês — confiava-lhe a irmã — lembra-te: é preferível viver um só dia na casa do Senhor, que mil dias fora dela. A juventude é vento que passa. A beleza se desvanece como a fumaça. A vida termina e aqui não fica nada.

“Oh! minha irmã, se tu pudesses provar a doçura do amor do Senhor! E um amor sempre jovem, que ninguém nos pode arrebatar!”

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Especial Santa Clara de Assis - Lampejos da forma de vida de Santa Clara de Assis.





Frei João Mannes, OFM

Na história cristã, Clara é, certamente, a mulher que mais fielmente se conformou ao Filho de Deus encarnado. Por isso, no presente artigo tem-se por objetivo chamar a atenção para alguns aspectos essenciais de sua Forma de Vida, inspirada pelo Senhor e Servo Jesus Cristo através do exemplo e da doutrina de São Francisco. Dar-se-á especial ênfase ao “privilégio da pobreza”, pois, outrora como agora, onde falta amor à pobreza não há autêntica experiência religiosa.

1 – A Forma de Vida começa “em nome do Senhor”

A primeira e originária Forma de Vida professada por Clara e suas Irmãs foi escrita por Francisco de Assis, e devia ser muito semelhante à primeira Regra (Proto-Regra) que ele escreveu para si e para os Frades (cf. RB 1,1; RSC 1,3). Pois, o mistério que dá origem à decisão de Francisco de seguir Jesus Cristo pobre e crucificado e viver aquela maneira ordenada por Cristo no Evangelho do Envio dos Apóstolos é o mesmo que encanta, fascina e converte Clara de Assis ao Evangelho de Jesus Cristo. Mais que em Francisco, Clara tem no mistério da expropriação divina o coração de toda a sua existência religiosa.

No entanto, é importante ter presente a luta intrépida de Clara, até sua morte, para obter a aprovação oficial da Igreja para a Regra que ela mesma escrevera. Essa Regra ou Forma de Vida genuinamente clariana só foi aprovada pelo Papa Inocêncio IV aos 09 de agosto de 1253 e recebida com a Bula papal por Clara no dia 10, portanto, um dia antes de sua morte, 11 de agosto.

Ao abrir a Regra de Santa Clara nos deparamos primeiramente com a Bula do papa Inocêncio IV que confirmou e assegurou a eclesialidade e perpetuidade da Forma de Vida da Ordem das Irmãs pobres. É na e através da Ordem das Irmãs Pobres, canonicamente aprovada pela Igreja, que flui até nós, para nós e para o mundo o espírito originário da Forma de Vida clariana. Sem a Ordem, certamente, não teríamos essa preciosa espiritualidade evangélica que, no decorrer dos séculos, vem encantando tantos homens e mulheres desejosos de seguir Jesus Cristo na vivência radical do Evangelho (cf. DORVALINO, 2009, p. 48-55). Na saudação inicial à senhora Clara, bem como às outras Irmãs, tanto presentes como futuras, o Papa deseja “saúde e bênção apostólica”.

Ao desejar a bênção apostólica às Irmãs, certamente o Papa expressou o seu ardente desejo de que elas fossem sempre imbuídas da força, do vigor e do ânimo que transformou aqueles homens, simples e rudes pescadores, em dedicados apóstolos e exemplares testemunhas de Jesus Cristo e de seu Evangelho. E é bem provável que ao desejar-lhes saúde, a autoridade apostólica expressou o desejo de que as Irmãs fossem sempre de alma pura, salva, livre, desprendida e desapegada de tudo o que pudesse ser impedimento à união total com o Amado Jesus Cristo. Assim, despojada de tudo, a Forma de Vida clariana seria sustentada unicamente pela força, pelo Espírito que nutriu e ratificou a vida dos apóstolos (cf. DORVALINO, 2009, p. 40-41).

Clara de Assis, em seu Testamento, destaca que foi o altíssimo Pai celeste que iluminou o seu coração para fazer penitência:
Depois que o altíssimo Pai celestial, por sua misericórdia e graça, se dignou iluminar o meu coração para fazer penitência, segundo o exemplo e doutrina de nosso bem-aventurado pai Francisco, pouco depois de sua conversão, com algumas irmãs que Deus me dera logo após a minha conversão, eu lhe prometi obediência voluntariamente (TestC 24s; cf. RSC 6,1).

Sem dúvida, o exemplo e doutrina de Francisco teve grande influência na decisão vocacional de Clara. No entanto, ela mesma assegura que o processo de sua conversão teve início porque Deus, o Pai de misericórdia, se dignou iluminar o seu coração, e a elegeu para ser a discípula e esposa amada do seu Filho Jesus. Ademais, assegura a serva de Cristo, que a vida de penitência empreendida por ela é uma voluntária resposta à convocação divina de conformar-se a Jesus Cristo (cf. RSC 6,1). Enfim, a existência religiosa de Clara teve início em Deus, conforme também atesta o título do primeiro capítulo da Forma de Vida da Ordem das Irmãs Pobres: “Em nome do Senhor começa a forma de vida das Irmãs Pobres”.

A expressão “nome” (em nome do Senhor) indica aquilo que o Senhor é essencialmente, isto é, o seu modo de ser de servo. Paradoxalmente o Senhor é aquele que mais serve; o Senhor é aquele que se humilha até o extremo. De modo que, ao iniciar a sua Forma de Vida invocando o nome do Senhor, Clara dispõe-se a viver no vigor, na energia, na disposição do Senhor-servo. A Forma de Vida clariana nasce, cresce, amadurece e se consuma no espírito do Senhor e Servo Jesus Cristo. Portanto, na expressão “em nome do Senhor”, anuncia-se que o sentido fundamental da vida de Clara consiste em deixar-se impregnar e conduzir pelo “espírito do Senhor e seu santo modo de operar” (RB 10,9).

Por fim vale ressaltar que Clara estava convicta de que a sua Forma de Vida estava sendo gerada pelo Senhor no seio da Igreja (cf. TestC 46). Tinha a consciência de que não estava nesta Vida por iniciativa particular, sua, mas porque Deus a havia escolhido por sua pura benevolência e infinita misericórdia.

2 – Relacionamento esponsal com Jesus Cristo

A Dama Pobre de Assis, por inspiração divina, encontrou o sentido fundamental de sua existência na pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus que incondicionalmente assumiu a condição humana na forma de Servo, até a morte de Cruz. O mistério da encarnação (kénosis) do Filho de Deus, tal qual aconteceu, em pobreza e humildade, está na raiz da espiritualidade de Santa Clara.

A opção fundamental de vida de Santa Clara é pelo seguimento de Jesus Cristo pobre. Ela “já não queria mais nada a não ser Cristo” (2LV 12). E ao colocar-se diante de Jesus não tinha diante dos olhos um programa de virtudes a serem praticadas, mas estava diante de uma pessoa, que trazia uma proposta capaz de apaixonar e atrair discípulos e discípulas para a grande aventura de viver o Evangelho. O discípulo/a é amante de Alguém que atrai e fascina, porque encarna e concretiza os anseios humanos mais profundos (cf. 2LV 7).

Por conseguinte, a essência da vida de Clara e de suas Irmãs é, antes de qualquer outra coisa, amar uma pessoa, Jesus Cristo, como resposta ao seu amor. “Ame com todo coração a Deus (cf. Dt 111; Lc 10,27) e a seu Filho Jesus, crucificado por nós pecadores, sem permitir que ele saia de sua recordação” (Er 11). Entretanto, nós, raramente, nos damos conta de que não somos nós que amamos, quando amamos. É o amor que nos ama, nos leva e nos faz amar o que amamos. Esta é a mística de Santa Clara que, no íntimo do seu coração, deixa-se simplesmente enlevar pelo amor do Amado, e, por isso, todo o seu afeto, amor e caridade para com as Irmãs (cf. LSC 38), aos pobres e doentes são manifestações concretas de sua relação amorosa com Jesus Cristo. É vivendo no amor a Jesus Cristo que se chega a ser morada de Deus (cf. Jo 14,23) e se adquire aquele olhar de fé que, graças a Ele, nos permite contemplar o rosto do Amado no rosto dos irmãos e irmãs.

À medida que Clara, “serva indigna de Cristo e plantinha (em latim plantula = rebento, broto) do bem-aventurado pai Francisco” (RSC 1,3) mergulha na mais íntima solidão de sua alma, reencontra-se a si mesma e a todas as criaturas, que antes abandonara por amor a Deus. Sair de si, desprender-se do eu é achegar-se ao portal da origem de todos os seres. Nesse total desprendimento de si a alma humana entrevê o aceno do Divino que se revela e se esconde no interior de cada criatura. De modo que a clausura material de Clara e de suas Irmãs (cf. RSC 11) não é fuga nem rejeição do mundo, mas é, antes, expressão de um silêncio e recolhimento interior (cf. LSC 36), que possibilita a contemplação de si mesma e de todos os seres do universo, à luz da Palavra criadora que jorra do silêncio eterno de Deus. Na vigência do radical desprendimento e da total disponibilidade revela-se toda a profundidade ontológica das criaturas. Somente Deus é ser, toda a criatura é um sendo que tem de receber o ser de Deus.

Portanto, Clara, com todas as fibras do coração, procurou evitar que “toda soberba, vanglória, inveja, avareza, cuidado e solicitude deste mundo” (RSC 10,6) desviassem o seu coração do único necessário, Jesus Cristo. Ser puro, casto e virginal é ser livre dos apegos que traduzem os falsos absolutos da vida: a autopromoção, o acúmulo de honra, fama, riqueza e poder. Ter o coração puro significa não se deixar sufocar pelos cuidados e solicitudes deste mundo, mas voltar-se totalmente para Deus, de tal maneira que Ele possa habitar no coração de forma permanente (cf. 2LV 29). Foi assim, conservando o seu corpo casto e virginal, que Clara reviveu espiritualmente o mistério da mãe do Senhor, que humildemente dispôs-se à ação transformadora do Espírito Santo e tornou-se efetivamente a mãe do Filho do altíssimo Pai (cf. 3In 24-25).

Entretanto, ser mãe do Filho de Deus e tê-lo como único esposo não é um privilégio exclusivo das Damas pobres. Conforme atesta Francisco na Carta aos Fiéis, todos aqueles e aquelas que realizam as obras do Pai celestial “são esposos, irmãos e mães (cf. Mt 12,50) de Nosso Senhor Jesus Cristo” (2Fi 50). Essa formulação de Francisco, repetida por Clara, tem base no texto bíblico: “Aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mt 12,50; cf. Mc 3,35).

3 – A graça do “privilégio da pobreza”

Clara sente-se profundamente agraciada por Deus e por isso continuamente dá graças e louvores a Deus por todos os benefícios recebidos, conforme admoesta o apóstolo Paulo: “Em todas as circunstâncias dai graças porque esta é a vontade de Deus em Jesus Cristo” (1Ts 5,18).

Entre os vários benefícios outorgados por Deus, está o inestimável dom da vida de todas as criaturas. A vida de todos os seres emerge continuamente do mistério abissal da gratuidade divina que funda a existência finita sem porquê nem para quê, unicamente porque quer manifestar-se ad extra por amor às suas criaturas. Cada criatura é um ente (ens) que tem de receber o ser de Deus. É alhures, portanto, que lhe vem a vida, a inteligência, a vontade ou qualquer outra potencialidade.

Basicamente, foi por graça do Pai celeste que se iniciou nossa história terrena. Ser filho ou criatura significa ter a honra de ser portador da força e do vigor de alguém que tomou a iniciativa de criar-nos, fazer-nos surgir sem nenhum merecimento nosso. De fato, Deus ama com amor eterno cada criatura, não por causa dos méritos da beleza e bondade delas, mas ama simplesmente porque é esse o seu modo próprio e íntimo de ser. Deus é Amor gratuito; de graça é sua benevolência para com todos, até para com os ingratos e maus (Lc 6,35). Compreende-se, então, porque a vida de Clara tornara-se um hino de louvor e de ação de graças Àquele que a criou, guiou e protegeu: “E bendito sejais Vós, Senhor, que me criastes” (LSC 46,5).

Contudo, não somente o fato de existirmos é dom de Deus. Também nossas boas obras procedem do Sumo Bem, que se comunica a si mesmo no ser e operar de cada criatura. Razão pela qual ninguém poderia se apropriar e se vangloriar de suas boas obras, nem invejar as do seu próximo.

Agradeço ao Doador da graça, do qual cremos que procedem toda dádiva boa e todo dom perfeito (Tg 1,17), pois adornou-a com tantos títulos de virtude e a fez brilhar em sinais de tanta perfeição, para que, feita imitadora atenta do Pai perfeito (cf. Mt 5,48), mereça ser tão perfeita que seus olhos não vejam em você nada de imperfeito (2In 3-4).

No entanto, motivo de maior louvor e gratidão a Deus é que o ser humano seja capaz de corresponder à bondade de Deus que graciosamente comunica todo o seu ser a cada criatura. Em outras palavras, o ser humano é de uma dignidade especialíssima por ter sido criado e chamado por Deus a ser à imagem e semelhança de Deus. 

Entre todas as graças recebidas da generosidade do Pai está, pois, o inestimável dom da vocação:
Entre outros benefícios que temos recebido e ainda recebemos diariamente da generosidade do Pai de toda misericórdia e pelos quais temos que agradecer ao glorioso Pai de Cristo, está a nossa vocação que, quanto maior e mais perfeita, mais a Ele é devida (TestC 2-3).
A alma humana, porque criada à imagem de Deus, é essencialmente receptividade e difusão gratuita de si mesmo. Recebemos nossa vida como dom e com a capacidade de doá-la gratuitamente aos outros à semelhança de Deus que renunciou à sua condição divina e assumiu a condição de Servo, em Jesus Cristo. E ao assumir a condição de Servo, até a morte de Cruz, agraciou-nos com a vocação de sermos semelhantes a Ele. Eis o sentido absoluto do nosso ser e viver: “Ele mesmo, o Pai celeste, que em seu Filho muito amado, Jesus Cristo, vem se dando a cada um de nós num convite e chamado para que a Ele nós também nos doemos do mesmo modo, num encontro de pura gratuidade” (DORVALINO, 2009, p. 216-217).

Sem dúvida, Clara intuiu de forma extraordinária a vocação divina do humano, ou seja, de nada reter para si mesmo para que totalmente nos receba aquele que totalmente se nos oferece (cf. Ord 29). Apropriar-se de qualquer coisa é, na perspectiva clariana, macular a imagem de Deus impressa na alma humana, bem como é ser ladrão, é praticar um roubo a Deus. Apoderar-se de alguma coisa é um ultraje, um abuso à bondade de Deus que distribuiu tudo com copiosa benignidade aos dignos e aos indignos.

Clara lutou até a morte, com todas as fibras do seu coração, pelo “privilégio” de viver em total pobreza. O “privilégio da Pobreza”, como foi chamada a bula de Inocêncio III, foi concedido às Damas Pobres em 1216.

O Papa escreveu:
Como é manifesto, desejando ardentemente dedicar-vos unicamente ao Senhor, abdicastes ao desejo das coisas temporais; por isso, tendo vendido e distribuído tudo aos pobres, proponde-vos a não ter absolutamente nenhuma propriedade, aderindo totalmente aos vestígios daquele que por nós se fez pobre, caminho, verdade e vida… Portanto, como haveis suplicado, corroboramos o vosso propósito da mais alta pobreza com o favor apostólico, concedendo-vos com a autoridade da presente que não possais ser por ninguém obrigados a receber propriedades” (Privilégio da Pobreza, In: FC, p. 142).

Clara amou a pobreza e fez dela o seu modo de vida porque o Filho de Deus, vindo a este mundo, escolheu ser pobre desde Belém até a Cruz. Na concepção de vida clariana, a alegria maior da pobreza consistia precisamente na possibilidade de restituir tudo ao Senhor, a exemplo de Jesus que, totalmente despojado na Cruz, restituiu sua vida (espírito) ao Pai: “E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (Jo 19,28-30).

Em síntese, Clara de Assis, ao não abrir mão do privilégio da pobreza, não apenas quis o privilégio de uma vida sem privilégios, mas o privilégio que Deus concedeu a cada ser humano de poder ser semelhante ao Filho encarnado do Pai eterno. O Filho encarnado foi pobre porque seu saber era a sabedoria do Pai, seu querer era a vontade do Pai, seu poder o poder do Pai e seu viver e seu amor eram o viver e o amor do Pai. Na radical pobreza e humildade, Clara participa do destino da vida, do sofrimento e da morte de Jesus Cristo:
Se você sofrer com ele, com ele vai reinar; se chorar com ele, com ele vai se alegrar; se morrer com ele (cf. 2Tm 2,11.12; Rm 8,17) na cruz da tribulação, vai ter com ele mansão celeste nos esplendores dos santos (Sl 109, 3). E seu nome, glorioso entre os homens, será  inscrito no livro da vida (2In 21-22).

4 – Fidelidade criativa ao “ponto de partida”

Na Segunda Carta de Clara a Santa Inês de Praga, a serva das pobres damas louva imensamente a decisão de Inês que renunciara a todas as benesses de um casamento imperial para unir-se livremente em matrimônio com o Cristo pobre. Exorta-a, no entanto, de manter sempre viva em sua memória o propósito que fizera por uma pobreza radical por amor a Jesus Cristo. Por outras palavras, exortou-a de jamais perder de vista o princípio, isto é, o “ponto de partida” de sua decisão de unir-se em matrimônio com Jesus Cristo:
Não perca de vista seu ponto de partida, conserve o que você tem, faça o que está fazendo e não o deixe (cf. Ct 3,4) mas, em rápida corrida, com passo ligeiro e pé seguro, de modo que seus passos nem recolham a poeira, confiante e alegre, avance com cuidado pelo caminho da bem-aventurança. Não confie em ninguém, não consinta com nada que queira afastá-la desse propósito, que seja tropeço no caminho (cf. Rm 14,13), para não cumprir seus votos ao Altíssimo (Sl 49,14) na perfeição em que o Espírito do Senhor a chamou (2In 11-14).

Foi o irrestrito amor do Amante Jesus Cristo que a priori “seqüestrou” o coração de Inês de Praga e acendeu nela um ardentíssimo desejo de deixar todas as vaidades desta terra e unir-se ao Cordeiro imaculado como sua digníssima esposa. Clara exorta-a, então, que ela olhe, considere e contemple sempre esse Filho de Deus, que fixou terna e afetuosamente sobre ela o Seu olhar e suscitou nela uma resposta, consciente e livre, de amor total a Ele (cf. 2In 19-20).

Clara aconselhou a todas as Irmãs, de acordo com a última vontade de Francisco escrita para Santa Clara (cf. UV 1-3), que não se desviassem da pobreza por nenhum preço (cf. TestC 40s. 52-57). Para isso faz-se necessária uma contínua vigilância. Pois, as muitas solicitações do complexo mundo em que vivemos, tanto na ordem do ter, do poder, do saber, como na ordem do prazer, são contínuas ameaças ao “ponto de partida”. Dizendo de outra forma, as solicitações do mundo são tão sedutoras que não somente podem ofuscar, mas até mesmo fazer perder totalmente de vista aquela disposição inicial e o propósito de doar-se livre, responsável e criativamente aos irmãos e irmãs, sob a inspiração da vida e doutrina de Francisco de Assis.

Sem dúvida, a advertência de Clara à Inês estende-se a nós todos, discípulos e discípulas de Jesus Cristo. Pois, em tudo aquilo que fazemos, sentimos um forte apelo à satisfação dos nossos sentidos. A busca da auto-satisfação é, certamente, o maior de todos os perigos, que nos afasta gradativamente da afeição originária de nossa vocação, ou da nossa paixão por Jesus Cristo e compaixão pela humanidade.

Por fim, trazemos uma pequena história, atribuída a S. Kierkegaard, que ilustra muito bem como os muitos trabalhos e solicitações do mundo podem nos fazer perder de vista o “primeiro amor” de nossas vidas:
Certa vez, um europeu que viajava pelo Oriente conheceu uma linda mulher chinesa numa estação de trem. Encantou-se por ela, “amor à primeira vista”, mas tinha dificuldades de comunicar-se, pois não conhecia seu idioma. Quando voltou ao país de origem, ele começou a aprender chinês intensamente, para comunicar-se com sua amada. E assim o fez. Os dois correspondiam-se constantemente e alimentavam o amor de um pelo outro através das cartas. Enquanto isso, ele mergulhou no estudo da língua e da cultura chinesa, num esforço gigantesco, a ponto de tornar-se um especialista no assunto. Então, passou a ser requisitado em muitos lugares, para cursos, palestras e eventos. Não tinha mais tempo para escrever à sua amada, e ela nem sabia mais para onde escrever suas cartas, pois ele estava em constante viagem. O homem tornou-se um personagem importante. Mas o custo foi muito alto: esqueceu a mulher que o motivou a aprender o chinês.

Conclusão
Clara e Francisco são fundamentalmente duas versões distintas e complementares de uma mesma Forma de Vida  instituída por Francisco: Observar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na esteira de Francisco, Clara e suas Irmãs se fizeram filhas e servas do altíssimo Pai celeste, e desposaram o Espírito Santo, escolhendo viver segundo a perfeição do santo Evangelho (FV 1-2). E dirigindo-se ao sucessor do bem-aventurado Francisco e a todos os frades da Ordem, recomenda e confia-lhes suas Irmãs, presentes e futuras, “para que nos ajudem a crescer sempre mais no serviço de Deus e principalmente a observar melhor a santa pobreza (TestC 51). E Francisco afetuosamente promete, por si e por todos os seus irmãos na Ordem, ter sempre por elas um diligente cuidado e especial solicitude (cf. RSC 6, 3-4).

Oxalá, Clara nos inspire hoje e sempre a colocarmos a mente, a alma e o coração no Espelho da Perfeição humana e divina: Jesus Cristo crucificado. Contemplar o Espelho da Perfeição significa deixar-se inflamar cada vez mais no ardor da caridade, da bondade, da compaixão e da misericórdia de Deus manifestada em Jesus Cristo. É isso que Clara deseja e propõe a Santa Inês e a cada um de nós: “Tomara que você se inflame cada vez mais no ardor dessa caridade” (4In 27). Pois, o ápice da vida contemplativa inaugurada por Clara de Assis é ver, considerar e agir no mundo com o amor maternal de Deus Pai. “O Senhor que deu o bom começo dê o crescimento (cf. 1Cor 3,6.7) e também a perseverança até o fim” (TestC 79).


SIGLAS

Escritos de São Francisco

2Fi = Carta aos Fiéis (Segunda Recensão)
FV = Forma de Vida para Santa Clara
Ord = Carta a toda a Ordem
RB = Regra Bulada
UV = Última Vontade a Santa Clara
Escritos de Santa Clara
Er = Carta a Ermentrudes
2In = Segunda Carta a Inês de Praga
3In = Terceira Carta a Inês de Praga
4In = Quarta Carta a Inês de Praga
RSC = Regra de Santa Clara
TestC = Testamento de Santa Clara
Fontes biográficas de Santa Clara
FC = Fontes Clarianas 
BC = Bula de Canonização de Santa Clara
LSC = Legenda de Santa Clara
2LV = Legenda Versificada de Santa Clara

BIBLIOGRAFIA

FONTES CLARIANAS. Tradução, introduções, notas e índices de J. C. PEDROSO. Petrópolis: Vozes/CEFEPAL, 1994.

FONTES FRANCISCANAS E CLARIANAS. Apresentação Sergio M. Dal Moro; tradução Celso Márcio Teixeira et. al., Petrópolis: Vozes/FFB, 2004.
FASSINI, Frei Dorvalino. Forma de Vida da Ordem das Irmãs Pobres – Leitura e Comentários. Cascavel: Federação Sagrada Família dos Mosteiros da Ordem de Santa Clara do Brasil, 2009.

AUTOR: Dr. João Mannes, OFM
Doutor em Filosofia pelo Pontifício Ateneo Antonianum, Roma (1998).

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Especial Santa Clara de Assis - O Primeiro Lar: São Damião, e as primeiras Discípulas



O Primeiro Lar: São Damião

Clara e Inês, que se julgavam portadoras de nova Ordem, não podiam certamente permanecer em Santo Angelo de Panzo.

Francisco obteve para elas o pequeno convento anexo a São Damião, juntamente com a igrejinha na qual haviam ido rezar tantas vezes.
São Damião se tomará, assim, cenáculo de mulheres apaixonadas pelo Senhor, uma semente destinada a germinar uma fileira de almas belas, sequazes intransigentes dos ensinamentos do Poverello.

Afinal, Francisco o havia predito, como conta Clara, em seu testamento.”Tendo subido no muro da dita igreja, assim gritava então, com voz elevada e em língua francesa: ‘Venham e ajudem-me nesta obra do mosteiro de São Damião, porque, dentro em breve, virão habitá-lo mulheres e, por sua fama e pela santidade de sua vida, dar-se-á glória ao Pai nosso celeste, em toda a sua Santa Igreja”.

Clara e Inês não ficaram por muito tempo sozinhas, porque muitas jovens de Assis foram atraídas por seu exemplo.
Destas primeiras companheiras, ficam-nos, além do nome, também documentação que testemunha a santidade de sua vida e sua fidelidade, sem compromisso algum, em seguir o exemplo de Clara.

Pouco depois da entrada em São Damião, pediu para unir-se às irmãs Offreducci uma amiga de infância de Clara, Pacífica; e de Perúgia, chegou Benvenuta, conhecida nos anos da fuga de Assis, juntamente com toda a sua família . Depois, juntou-se Balvina de Martino; no ano seguinte, Filipa, filha de Leonardo de Gisleno.

Todas prometeram obediência a São Francisco, que não deixará de seguir a pequena comunidade, com extrema diligencia e com o amor que merecia a mais bela flor do jardim espiritual.

Para as irmãs, que começaram a ser chamadas “Damianitas”, depois de terem provado sua coragem, a própria Clara prescreveu, com evangélica simplicidade, uma regra a ser observada. Em 1215, ela havia impetrado à Sé Apostólica a aprovação do Privilégio da Pobreza, documento singular, único, com o qual a Santa queria, aprovada pelo Papa, a escolha, para ela e suas sequazes, de não aceitar nenhuma posse.

E, na Regra Selada, aprovada pela forma de vida da nova comunidade, está escrito: “O bem aventurado pai, considerando que não temíamos nenhuma pobreza, fadiga, tribulação, humilhação e nenhum desprezo do mundo, que, antes, os tínhamos em conta de grande delícia, movido de paterno afeto, escreveu para nós a forma de vida deste modo:
‘Como, por divina inspiração, vos fizestes filhas e servas do altíssimo Sumo Rei, o Pai celeste, e desposastes o Espírito Santo, escolhendo viver segundo a perfeição do Santo Evangelho, quero e prometo, de minha parte e por meus frades, ter sempre de vós e deles atento cuidado e especial solicitude’. O que ele, com toda a fidelidade, cumpriu enquanto viveu e quis que fosse sempre cumprido pelos frades”.

Depois de três anos de vida monástica, Francisco julgou oportuno dar à comunidade de São Damião um esboço de organização: pensou em nomear uma abadessa. Esta não podia ser senão Clara, a primogênita da Ordem.

Mas Clara refutou: “Não, não eu, Francisco! Fugi de todas as honras e da vaidade do mundo, não posso me colocar no comando das minhas irmãs. Quero só servir e obedecer!”
“Bem!” – disse-lhe Francisco em resposta – “se tu queres obedecer, então eu te peço que o faças por obediência!”.

Desejosa da palavra de Deus

Clara, apenas eleita abadessa, sentia necessidade de uma ajuda segura: temia, sobretudo, não ir pelo caminho da perfeita pobreza. Por isso, teria desejado encontrar-se mais vezes com Francisco

Mas o “Poverello” estava muitas vezes longe de Assis e evitava dirigir-se freqüentemente a São Damião para não suscitar “admiração e suspeita” entre as pessoas.
Havia recomendado aos seus frades para não terem muita “familiaridade” com as monjas e não entrarem nos seus mosteiros. E nisto, ele queria ser o exemplo. Em São Damião, Clara se encontrou, finalmente, à vontade.

Transpondo aquelas paredes em ruínas, compreendeu ter chegado para onde Deus, havia tanto tempo, a conduzia.

Isso lhe diziam a nudez das paredes, a desolação dos locais, os muros sem reboco, as rústicas tábuas nem mesmo esquadradas do assim chamado “pequeno coro”, a escada íngreme e desconexa que levava ao dormitório, um grande quarto nu e frio.


As Primeiras Discípulas

Francisco havia predito a Clara que outras senhoras a haveriam de seguir e abraçariam o seu ideal de vida. Depois de Inês, a primeira a acorrer a São Damião foi Pacífica de Guelfuceio, aquela que a ajudou na fuga noturna.

Depois, veio Benvinda de Perusa, sua caríssima amiga. Em seguida, ajuntaram-se Balvina de Offreduccio, Cecília de Gualtiero, Angelúcia de Angeleio, Filipa de Ghislerio, Francisca de messer Capitâneo, Amata de Martino e tantas outras. Beatriz, irmã menor de Clara, e a mamãe Hortolana completaram o grupo.

Nasceu, assim, em São Damião, a segunda Ordem franciscana, o ramo feminino, ao qual Francisco gostava de chamar o das “Senhoras Pobres”. Um oásis de paz

Em pouco tempo, a comunidade de São Damião tornou-se um autêntico oásis de paz, onde tudo era calor e intimidade.

A própria desolação do local, das paredes, dos utensílios, transmitiam serenidade e alegria.
Lamento nenhum se levantava de São Damião: a pobreza da casa, incômodos, os leitos, o frio, a fome, não atormentavam. As Irmãs, quanto mais pobres, mais se sentiam contentes.
Para Clara, cada recanto do convento era um recanto do paraíso, cheio de calor e de intimidade: um perene convite à festa, à alegria.

As mais pobres do mundo

Nada era de sua propriedade, mas tudo era aceito como empréstimo; julgavam-se “peregrinas e forasteiras neste mundo”. Andavam de pés descalços em todas as estações, com vestimentas grosseiras e uma corda à cintura, a cabeça raspada e coberta com um pano branco e preto.

Seu alimento era “moderado e austero”; haviam-se proposto “jejuar durante todo o ano”.Por leito, tinha uma esteira estendida sobre o pavimento nu e, por travesseiro, um pedaço de madeira. O dormitório era um grande quarto frio e miserável, onde os pobres catres eram alinhados junto à parede.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

02/08 -Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula: O perdão de Assis





Dedicação da Basílica patriarcal. Indulgência plenária do Perdão de Assis

O Seráfico Pai São Francisco, por seu singular amor à Bem-aventurada Virgem Maria, teve sempre particular cuidado por esta capelinha dedicada a Santa Maria dos Anjos, chamada também de Porciúncula. Neste lugar, Francisco fundou a Ordem dos Frades Menores e fixou morada estável para seus confrades; neste lugar iniciou com Santa Clara a Segunda Ordem das Clarissas; neste lugar recebeu os irmãos e irmãs da penitência da Terceira Ordem que chegavam de todas as partes. Neste lugar concluiu o curso de sua vida admirável.

Para esta capela, o Santo fundador obteve do Papa Honório III a célebre indulgência chamada também de Perdão de Assis, que os Sumos Pontífices confirmaram sucessivamente e estenderam a numerosas outras igrejas. Por estas gloriosas lembranças a Ordem Seráfica celebra com alegria a festa de Santa Maria dos Anjos.

No calendário litúrgico franciscano, o dia 2 de agosto é dedicado à celebração da Festa de Nossa Senhora dos Anjos, popularmente conhecida como “Porciúncula”. Na introdução do texto litúrgico do missal e da liturgia das horas, se diz o seguinte:

“O Seráfico Pai Francisco, por singular devoção à Santíssima Virgem, consagrou especial afeição à capela de Nossa Senhora dos Anjos ou da Porciúncula. Aí deu início à Ordem dos Frades Menores e preparou a fundação das Clarissas; e aí completou felizmente o curso de seus dias sobre a terra. Foi aí também que o Santo Pai alcançou a célebre Indulgência , que os Sumos Pontífices confirmaram e estenderam a outras muitas igrejas. Para celebrar tantos e tão grandes favores ali recebidos de Deus, instituiu-se também esta Festa Litúrgica, como aniversário da consagração da pequenina ermida”.

Condições para receber a indulgência plena do Perdão de Assis (para si mesmo e para os defuntos)

No dia 2 de agosto de cada ano (das 12 horas do dia 1º de agosto até as 24 horas do dia 2), pode se adquirir a Indulgência Plenária, com as seguintes condições:

• Visitando uma igreja paroquial, onde se reza o Credo, para afirmar a própria identidade cristã; e o Pai Nosso, para afirmar a própria dignidade de filhos de Deus recebida no Batismo;

• Confissão sacramental para estar em graça de Deus (oito dias antes ou depois);

• Participação na Missa e comunhão eucarística;

• Uma oração nas intenções do Papa. A indulgência só pode ser lucrada uma vez.

Veja as Orações próprias.

Orações

CREDO
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis.Creio em um só Senhor: Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não feito; consubstancial com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas;que, por nós e por nossa salvação, desceu dos céus, e se encarnou, por obra do Espírito Santo, da virgem Maria, e se fez homem. Foi também crucificado, sob o poder de Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai. Virá outra vez com glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu Reino não terá fim.Creio no Espírito Santo, o Senhor que dá vida, e procede do Pai e do Filho; que, com o Pai e o Filho, é juntamente adorado e glorificado; Ele, que falou pelos profetas.
Creio na Igreja una, santa, universal e apostólica. Confesso que há um só Batismo para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.

PAI NOSSO
Pai Nosso que estais no céu,
santificado seja o vosso nome,
vem a nós o vosso reino,
seja feita a vossa vontade
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido,
não nos deixei cair em tentação
mas livrai-nos do mal.
Amém

UMA ORAÇÃO NAS INTENÇÕES DO PAPA

No mês de agosto, o Papa pede:
Intenção Geral: Para que todos os que atravessam momentos de dificuldade interior e de provação, encontrem em Cristo a luz e o sustento que os levem a descobrir a felicidade autêntica.
Intenção Missionária: a fim de que a Igreja na China dê testemunho de uma coesão interna cada vez maior e possa manifestar a comunhão concreta e visível com o Sucessor de Pedro.

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DOS ANJOS
Ó Nossa Senhora dos Anjos, na pequena Igreja da Porciúncula,
São Francisco recebeu as vossas bênçãos generosas juntamente com sua Ordem.
Ele depositara na vossa presença materna uma grande confiança e devoção, sendo atendido em seus pedidos. Continuai a dispensar os vossos favores sobre nós e sobre nossas necessidades particulares.
Nós vos suplicamos, dai-nos a graça da penitência dos pecados, a correção de nossas más inclinações e fortalecimento nos momentos de fraqueza. Quantos recusam a salvação e preferem caminhar nas trevas do erro! Tudo é possível para aquele que crer, para aquele que se arrepender!
Vós, ó Mãe, manifestastes a São Francisco o grande desejo de reconciliar os pecadores com Jesus, que se entregou em uma cruz para nos salvar. Rogai por nós, agora e na hora de nossa morte. Por isso, com todos os anjos do céu, vos saudamos: Ave Maria …

ORAÇÃO A VIRGEM MARIA
Santa Virgem Maria,
entre as mulheres do mundo, não nasceu nenhuma semelhante a ti,
ó filha e serva do altíssimo e sumo Rei e Pai celeste,
mãe de nosso santíssimo Senhor Jesus Cristo,
esposa do Espírito Santo:
roga por nós, com São Miguel Arcanjo
e com todas as virtudes dos céus e com todos os santos,
junto a teu santíssimo e dileto Filho, Senhor e Mestre.
Bendigamos o Senhor Deus vivo e verdadeiro (Ts 1,9);
Rendamos-lhe sempre louvor, glória, honra e bênção (Ap 4,9) e todos os bens.

Amém. Amém. Assim seja. Assim seja.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Especial - Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula: O Perdão de Assis


Como São Francisco pediu e obteve a indulgência do perdão

Segundo o testemunho de Bartolomeu de Pisa, a origem da Indulgência da Porciúncula se deu assim:

Uma noite, do ano do Senhor de 1216, Francisco estava compenetrado na oração e na contemplação na igrejinha da Porciúncula, perto de Assis, quando, repentinamente, a igrejinha ficou repleta de uma vivíssima luz e Francisco viu sobre o altar o Cristo e à sua direita a sua Mãe Santíssima, circundados de uma multidão de anjos. Francisco, em silêncio e com a face por terra, adorou a seu Senhor.

Perguntaram-lhe, então, o que ele desejava para a salvação das almas. A resposta de Francisco foi imediata: “Santíssimo Pai, mesmo que eu seja um mísero pecador, te peço, que, a todos quantos arrependidos e confessados, virão a visitar esta igreja, lhes conceda amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas”.

O Senhor lhe disse: “Ó Irmão Francisco, aquilo que pedes é grande, de coisas maiores és digno e coisas maiores tereis: acolho portanto o teu pedido, mas com a condição de que tu peças esta indulgência, da parte minha, ao meu Vigário na terra (Papa)”.

E imediatamente, Francisco se apresentou ao Pontífice Honório III que, naqueles dias encontrava-se em Perusia e com candura lhe narrou a visão que teve. O Papa o escutou com atenção e, depois de alguns esclarecimentos, deu a sua aprovação e disse: “Por quanto anos queres esta indulgência”? Francisco, destacadamente respondeu-lhe: “Pai santo, não peço por anos, mas por almas”.

E feliz, se dirigiu à porta, mas o Pontífice o reconvocou: “Como, não queres nenhum documento”? E Francisco respondeu-lhe: “Santo Pai, de Deus, Ele cuidará de manifestar a obra sua; eu não tenho necessidade de algum documento. Esta carta deve ser a Santíssima Virgem Maria, Cristo o Escrivão e os Anjos as testemunhas”.

E poucos dias mais tarde, junto aos Bispos da Úmbria, ao povo reunido na Porciúncula, Francisco anunciou a indulgência plenária e disse entre lágrimas:”Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao paraíso!”

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Especial - Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula: O Perdão de Assis


A virgem Maria na contemplação de Francisco e Clara

INTRODUÇÃO

• Toda pessoa tem uma dimensão contemplativa: aceitação da vida, ação que nos transforma para a vida. Deus é o agente de nossa dimensão contemplativa.

• Nascemos humanos: “humano” é ser que desperta para a presença de Deus; sintonia para enxergar a razão de todas as coisas e sentir a relação com os seres.

• “Acender a luz dos olhos e do coração”; o despertar, dentro e ao redor de cada um, para o tempo, o meio, a vida, as pessoas que cada dia nos encontram e nos transformam.

• Essa transformação vai nos unindo a Deus que, respeitando nossa individualidade, vai nos transformando em Cristo.

• O último passo da contemplação: Deus nos torna colaboradores seus no anúncio desta transformação e realização, comunicando à cada pessoa esta nova vida recebida.

• Todos esses passos aconteceram na vida de Maria, “a Virgem feita Igreja”.

• Francisco e Clara, pela contemplação de Maria, refizeram este caminho em suas vidas.

PEQUENOS E FRACOS COMO MARIA

• Deus resolveu começar tudo com uma mulher, jovem, solteira, pobre, noiva de um carpinteiro, moradora de um vilarejo tão miserável que nem constava dos mapas de Israel. Uma criatura para a qual nenhum poderoso iria olhar.

• O Deus da Bíblia trabalha, com predileção, justamente com o pobre, o pequeno, o fraco, o desprezado. Seu Filho seria o filho desta mulher, uma mulher pobre numa aldeia no fim do mundo. Os auxiliares imediatos de seu filho seriam pescadores por quem ninguém daria nada.

• É fundamental entendermos esse sentido de ser virgem: não pertencer a ninguém, não contar nada como elemento constituinte do povo, não ser nada. É disso que Deus precisa para começar a fazer um contemplativo, porque é dessa massa que Ele faz um Cristo.

• Essa pobreza, esse “nada” da Mãe de Jesus é importante na contemplação de Francisco e Clara, que exatamente aí fundamentaram toda sua vida de recolhimento e ação. Ser pobre de tudo para ser rico de Deus, como Maria, era o grande sonho de Francisco e Clara e a realização de sua alegria.

UNIDOS AO ESPÍRITO COMO MARIA

• Essa virgem de Nazaré era mais uma figura do Povo, paralela daquela menina enjeitada, símbolo de Jerusalém, que alguém tinha jogado no lixo da cidade e estava para ser devorada pelos corvos se Deus não a recolhesse, como disse o profeta Ezequiel (Ez 16, 1-15). É Maria, símbolo da Esposa bíblica que é o miserável povo de Israel, que Deus convidou para ser Mãe unindo-se ao seu próprio Espírito.

• A história dessa enjeitada que virou rainha é a história de cada um dos contemplativos: o Espírito de Deus age como um vento irresistível, construindo Maria dentro de cada um. Maria do silêncio, que sabia “conferir as coisas em seu coração” (Lc 2,52): é a visão contemplativa que abrange o mundo.

• Francisco e Clara contemplam Maria em integração perfeita com a Santíssima Trindade: filha, mãe e esposa. Antífona do Ofício da paixão: “Santa Virgem Maria, não há mulher nascida no mundo semelhante a vós, filha e serva do altíssimo Rei e Pai celestial, Mãe de nosso santíssimo Senhor Jesus Cristo, esposa do Espírito Santo”.

• Contemplação toda pelos olhos e extremamente concreta, objetiva. A Maria que Francisco e Clara conhecem não tem nada de teorias e não se perde no mundo dos conceitos: é um espelho prático em que enxergam a atuação do Espírito de Deus. Assumem as atitudes de Maria frente a Deus, e como ela, concebe, gera e dá a luz à Palavra de Deus, dando-lhe vida e forma.

• Porque a devoção de Francisco e Clara para com Maria foi justamente essa: aprender a acolher o Cristo para dá-lo à luz do mundo, com eles e em sua casa, Maria se tornou Mãe de toda a família franciscana.

MÃE DA HUMANIDADE COMO MARIA

• Maria gerou o corpo de Jesus de Nazaré e gera o espírito de cada um dos filhos de Deus até ficarem parecidos com o Primogênito de Deus. É através dela que cada um e todos juntos consituem o Cristo Místico, em seu Corpo, a Igreja.

• Maria mostra como se humaniza Deus e se diviniza o homem. Nela, a humanidade acolheu Deus e nela Deus é humanidade. Aquele pequenino envolto em fraldas, aquela criança com as feições de Maria, que com ela aprendeu a falar e a andar é Deus feito homem, transformação da história dos homens.

• Francisco e Clara contemplavam em Maria o mistério da encarnação, sem separar Jesus de sua Mãe. Porque, sem essa mulher, o Cristo seria um maravilhoso salvador sem bases históricas (humanidade), pois é nela que se encontram a divindade e a humanidade.

• Clara se comove porque “tão grande e glorioso Senhor quis descer ao seio da Virgem” (1Ct IP, 19). Francisco transborda de reconhecimento pela mulher que tornou possível a descida de Deus e da qual “recebeu verdadeiramente, em seu seio, o corpo da nossa frágil humanidade” (C.Fiéis 1,4).

NA MISSÃO DE DEUS COM MARIA

• A contemplação da vida de Maria parece ter alimentado toda a vida evangélica de Francisco e Clara: ela foi a primeira criatura humana a acolher o Reino de Deus. Essa é a base de toda a missão, pois Maria ensina tanto a acolher o Reino de Jesus como a fazê-lo nascer no coração de cada um.

• Francisco recordava Nossa Senhora como uma missionária percorrendo estradas com Jesus e os apóstolos. Ele a via pobre como Jesus, mas também como senhora e rainha como seu Filho sera rei e senhor. Maria, nossa irmã, representou toda a humanidade acolhendo a Redenção.

• Francisco e Clara plantaram entre seus filhos e filhas a convicção do Reino no coração dos desprotegidos, justamente por serem tão unidos à Mãe do Povo de Deus. Foi Maria quem os ensinou a partir do vazio da pobreza, unir-se a Deus no mais perfeito amor e ser “mães” de cada um dos pequenos seguidores de Jesus, ricos do seu sonho do Reino da Boa Nova. Esse sonho é possível a todos, porque na verdade o Reino de Deus começa no coração de cada um.

CONCLUSÃO – PARA REFLETIR E MEDITAR

• Da contemplação de Maria, Francisco e Clara descobriram um caminho, um modo de ser e de viver. Minha vida de oração/contemplação está me conduzindo por um caminho de comunhão mais verdadeira com Deus, com as pessoas e com as criaturas?

• A oração/contemplação conduz necessariamente à conversão, ao seguimento e à configuração com Cristo. Ele está vivendo em mim? Sou capaz de descobrí-lo, serví-lo e amá-lo nas pessoas e situações todas da vida.

• Minha vida é um “espelho” que reflete a vida e a presença do amor de Deus? Como está meu testemunho de Cristo?

Frei Regis Daher, ofm

domingo, 30 de julho de 2017

Especial - Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula: O Perdão de Assis


Jubileu do Perdão de Assis No calendário litúrgico franciscano, o dia 2 de agosto é dedicado à celebração da Festa de Nossa Senhora dos Anjos, popularmente conhecida como “Porciúncula”. Na introdução do texto litúrgico do missal e da liturgia das horas, se diz o seguinte: “O Seráfico Pai Francisco, por singular devoção à Santíssima Virgem, consagrou especial afeição à capela de Nossa Senhora dos Anjos ou da Porciúncula. Aí deu início à Ordem dos Frades Menores e preparou a fundação das Clarissas; e aí completou felizmente o curso de seus dias sobre a terra. Foi aí também que o Santo Pai alcançou a célebre Indulgência , que os Sumos Pontífices confirmaram e estenderam a outras muitas igrejas. Para celebrar tantos e tão grandes favores ali recebidos de Deus, instituiu-se também esta Festa Litúrgica, como aniversário da consagração da pequenina ermida”. Particularmente solenes e festivas, como em todos os anos, serão as celebrações na Basílica Santa Maria dos Anjos, onde os Franciscanos preparam-se para celebrar no próximo dia 2 o Grande Jubileu do Perdão no oitavo centenário (1216-2016) do pedido do Pobre de Assis na Porciúncula, em “feliz e providencial” concomitância com o Jubileu extraordinário da Misericórdia convocado pelo Papa Francisco. Como parte dessas celebrações, o Papa Francisco visitará a Porciúncula na tarde de 4 de agosto por ocasião do Jubileu do Perdão de Assis. O Pontífice se fará peregrino de forma simples e privada na Basílica papal de Santa Maria dos Anjos, onde se deterá em oração e oferecerá o dom da sua palavra. A propósito da Porciúncula, o Santo Padre se expressou recentemente nos seguintes termos: “O caminho espiritual de São Francisco teve início em São Damião, mas o verdadeiro lugar amado, o coração pulsante da Ordem, onde a fundou e onde, por fim, entregou sua vida a Deus, foi a Porciúncula, a ‘pequena porção’, o cantinho junto à Mãe da Igreja; junto a Maria que, por sua fé tão firme e por seu viver tão inteiramente do amor e no amor com o Senhor, todas as gerações a chamarão bem-aventurada.” Por Frei Régis Daher, OFM

A Porciúncula


Lugar fontal para a nossa mística. Santa Maria dos Anjos: berço da fraternidade! Aqui começou a vida e o amor mútuo. Um santuário mariano-franciscano, lugar – santo, dos mais freqüentado em todo o mundo. É um espaço para rezar, refletir, purificar, encher-se de graça e iniciar novamente o caminho.
Se Assis é a “capital do espírito”, Porciúncula é um lugar necessário a toda humana criatura de nosso tempo: uma etapa, uma luz sobre o caminho. Ali emana um único fascínio: a mensagem pulsante do Evangelho, alegria, serenidade, simplicidade, fidelidade, pobreza…Foi edificada no século X, no ano de 1045. Pertencia aos monges beneditinos do monte Subásio que ali alimentavam uma “pequena porção” de santuário. O que é o santuário? É um lugar sagrado onde a presença de Deus se manifesta. O mistério presente da divindade é que determina o lugar do culto.
Santuário é lugar e não museu arqueológico a mostrar e conservar memórias e glórias mumificadas do passado. Ali os acontecimentos passados são vivos e presentes: ali viveu Francisco, ali passou Clara, ali morreu o Poverello. Francisco e Clara continuam a ser mais vivos que nunca e a sua escolha de Amor é que marca definitivamente o lugar. Ali a Fraternidade se faz encontro,cresce,contagia e se comunica. (Cfr 1 Cel 106)
Em 1210 Francisco pede ao bispo de Assis e depois aos Cônegos de São Rufino alguma igrejinha para cuidar. A resposta é negativa. Vai então ao abade do mosteiro de São Bento, Dom Teobaldo. Este, com o consenso da comunidade monacal, concede a Francisco e a seu primeiros companheiros a Porciúncula para o simples uso e moradia. Só pedem uma condição: se a religião constituída por Francisco crescer, a Porciúncula seja a casa-mãe.
Dom recebido Dom dividido. A casa fundada sobre o sólido alicerce da Pobreza ganha um sinal: por graça e gratidão ao bem feito pelos beneditinos, há o gesto da retribuição: cada ano os frades mandavam aos monges um cesto cheio de peixes. Os monges agradeciam com um vaso cheio de óleo. LTC 56; LP 8.
Porciúncula:
• experiência primitiva de Fraternidade
• lugar reconstituído com o trabalho manual
• próximo aos bosques
• próximo aos leprosários
• pequenas celas para a moradia
• primeiro encontro com o Evangelho (Mt 10,5-15)
• ali o encontro do rumo definitivo na vida (1 Cel 21;LM 2,8;Lm 1,9;1 Cel 44)
• os primeiros companheiros Bernardo e Pedro vêm morar ali
• Bernardo, Pedro, Egídio e Francisco partem dali para a primeira missão
• a fraternidade cresce e encontra seu espaço
• é o santuário da missão ( 1 Cel 22;LM 3,1: LTC 25: Lm3,7;Fior13)
• No dia 19 de março de 1211/1112, chega a Porciúncula, a nobre jovem Clara de Faverone.
• Em julho de 1216, Francisco consegue do Papa Honório III a Indulgência ou o Perdão da Porciúncula.
• É um lugar muito elogiado. (1 Cel 106; LP 8-12:LM 2,8)
• Lugar dos Capítulos. Ali se realizou o famoso Capitulo das Esteiras – 1221. (LTC 57-59; AP 18,37-39; LP 114, Fior 18)
• Clara vai à Porciúncula visitar Francisco. Comem juntos num luminoso banquete espiritual. (Fior 15)• A irmã Jacoba de Settesoli, amiga de Francisco, chega pouco antes de sua morte, trazendo doce conforto.
(EP112;LP101;Cel 37-39)

• A irmã morte visita Francisco ( 2 Cel 214-217; LM 14,3-6;LTC 68;LP 64)
Ensinamentos da Porciúncula
• momento culminante da mudança radical de Francisco
• não teve dúvidas que o Senhor tinha suas exigências
• acolher o Evangelho, escutar o outro (a),percorrer o caminho proposto
• lugar de penitência e serviço
• ensina que todos devemos ser criativos (as) para fazer renascer a simplicidade primitiva.
• santuário da missão: enviar, regressar, fortalecer e orar.
• capítulo: momento privilegiado de encontro.

Frei Vitório Mazzuco