quinta-feira, 10 de maio de 2018
Santo franciscano do dia - 10/05 - São Félix de Nicosia
Religioso da Primeira Ordem (1715-1787). Seu culto foi aprovado por Leão XIII no dia 12 de fevereiro de 1888.
Bem-aventurado Félix de Nicosia nasceu em Nicosia, na Sicília, a 5 de novembro de 1715, recebendo no batismo o nome de Tiago Amoroso. Filho de família pobre, aprendeu muito cedo a arte de sapateiro, exercendo depois tal ofício, até à idade de 28 anos. Foi, deste modo, a principal fonte de sustento para sua família.
Entrou muito novo para a Ordem Franciscana Secular. Após muitas recusas, ao atingir a idade de 28 anos, foi recebido pelos Capuchinhos. Desde o início, manifestou exemplo admirável de santidade, obediência, mansidão, espírito quase inaudito de penitência. A devoção à Eucaristia, à Imaculada Conceição e a São Francisco foram a grande luz da sua vida.
Após o noviciado, foi destinado ao Convento de Nicosia, sua terra, sendo ali encarregado da horta, cozinheiro, sapateiro, enfer- meiro, porteiro e, sobretudo esmoleiro até ao dia da sua morte. Tendo crescido numa fa- mília muito modesta e humilde, onde a virtude era tida em grande consideração, fr. Félix sempre se notabilizou pela pureza de costumes. Aceitou, com resignação, as grandes humilhações que o guardião lhe impôs, quase sistematicamente, para experimentar a sua humildade.
Submeteu-se voluntariamente a jejuns, vigílias e às mais rigorosas penitências que ele unia às que lhe impunham os superiores ou as que constavam na Regra. Nos seus contatos diários com o povo, era generoso em dar bons conselhos. Realizou prodígios que lhe mereceram a fama de taumaturgo. Nutria amor intenso a Nossa Senhora das Dores. Grande parte da noite permanecia diante do Santíssimo. Considerava-se verdadeiramente feliz na sua vocação. No convento era notado, sobretudo, pela obediência. Foi conselheiro espiritual, guia e diretor de almas simples e também de sábios e eclesiásticos. Teve o dom da profecia e realizou numerosos milagres.
Tinha 72 anos e estava em agonia. Era o dia 31 de maio de 1787. Pediu a presença do seu guardião. Que desejas? – perguntou-lhe o guardião; queres a bênção dos moribundos? Também! – respondeu Frei Félix. Mas, antes disso, meu guardião, peço a obediência não somente para viver, mas também para morrer. Esta era a grande lição que o nosso santo deixava aos Capuchinhos do Convento de Nicosia. Pouco depois o Senhor chamava-o. Temos muito a prender deste irmão capuchinho de alforje aos ombros.
A 12 de Fevereiro de 1888, o Papa Leão XIII beatificou-o, em São Pedro, no Vaticano. Foi canonizado por Bento XVI aos 23 de outubro de 2005.
ORAÇÃO:
Senhor, que ensinastes o Bem-aventurado Félix a servir-Vos na simplicidade e humildade de coração, concedei-nos a vossa ajuda, para que, imitando os seus exemplos, possamos participar um dia da sua glória, no Céu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
quarta-feira, 9 de maio de 2018
Especial - Maio, Mês de Maria, Mãe do Redentor
Devoção franciscana para com a Virgem
Em sua “devoção” Francisco une Maria a Jesus, seu filho.
69. – A bem-aventurada Virgem Maria é tão honrada – como é justo – porque trouxe Cristo em seu seio abençoado. (III Carta, 21)
70. – O Verbo do Pai, tão digno, tão santo e glorioso, de quem o Pai anunciou a chegada, por seu Santo arcanjo Gabriel, à santa e gloriosa Virgem Maria, do seio da qual o Verbo recebeu verdadeiramente a carne de nossa humanidade frágil. (1 Carta, 4)
Ela foi escolhida e consagrada por Deus
71. – SALVE, Mãe de Deus, ó Maria.
Escolhida pelo santíssimo Pai do céu, o qual
vos consagrou com seu dileto e santíssimo
Filho e o Espírito Santo Consolador…
Salve, Palácio de Deus!
Salve, Tabernáculo de Deus!
Salve, Casa de Deus!
Salve, Traje de Deus!
Salve, Serva de Deus
Salve, Mãe de Deus!
(Saudação à SS. Virgem, 2,4,5)
Ela recebeu a graça e a santidade em plenitude.
72. – Ó Maria, Virgem Santíssima, não há outra semelhante, nascida neste mundo, entre as mulheres; filha e serva do Rei altíssimo, o Pai celeste; mãe de Jesus Cristo, nosso Senhor; esposa do Espírito Santo. (Of. da Paixão, 12)
73. – Salve, Senhora Santa,
Rainha Santíssima, Mãe de Deus, ó Maria,
que sois a Virgem perpétua…
Vós em quem houve e permanece
Toda a plenitude de graça e todo bem.
(Saudação à SS. Virgem, 1,3)
Ela é nossa advogada junto de Deus.
74. – Francisco amava a Mãe do Senhor Jesus com um amor indizível, pois foi ela quem nos deu como irmão o Senhor de majestade e por ela obtivemos misericórdia.
(Boav., IX, 3)
75. – “Em Rivo Torto não temos nenhuma igreja em que possamos rezar o Ofício e louvar a Deus e sua Mãe Santíssima, a quem sempre pedimos que seja nossa advogada”. (Fioretti, ad. II)
76. – O homem de Deus tinha uma devoção fervente por Maria, Senhora do Mundo…
Fixou-se em Porciúncula por causa de seu amor pela Mãe de Cristo. Amou sempre este lugar mais do que qualquer outro no mundo. . . ; foi este lugar que, ao morrer, confiou aos irmãos como particularmente caro à Virgem… Foi neste lugar que Francisco, impelido por Deus que lhe revelou sua vontade, fundou sua Ordem dos Frades Menores. (Boav., II, 8)
77. – Não convinha que o nascimento de uma Ordem de virgens… se desse num outro lugar que não num templo consagrado à primeira, e à mais digna de todas as mulheres, a única que é virgem e mãe ao mesmo tempo, no mesmo lugar em que a nova cavalaria dos pobres começa a exercitar-se gloriosamente sob a ordem de Francisco. Desta maneira, a Mãe de misericórdia mostrava claramente a todos que era ela que, em seu santuário, dava origem à primeira como à segunda Ordem.
(Vida de Clara, 8)
78. – Ordeno a todos os meus irmãos, quaisquer que sejam, aos atuais e aos vindouros, que a honrem e glorifiquem sempre, de todo jeito e de toda maneira que for possível, e de tê-la em muito grande devoção e veneração. Quero ainda que sejamos sempre seus fiéis servos.
(Fioretti, ad. II)
79. – Inventava louvores para ela, fazia chegar suas orações até ela, consagrava-lhe os impulsos de seu coração: nenhuma língua humana saberia dizer quantas vezes e com que fervor.(II Celano, 198)
Imita-lhe as virtudes
80. – Pouco antes de morrer escreveu-nos dos, mais uma vez sua última vontade; “Eu, o pequeno irmão Francisco, quero seguir a vida e a pobreza de nosso altíssimo Senhor
Jesus Cristo e de sua Santíssima Mãe, e quero perseverar neste caminho até a morte.
(R. de Clara, VI)
81. – E quando for necessário, que vão pedir esmola… “pois pobre e peregrino, viveu de esmolas, Ele, e a bem-aventurada Virgem, e seus discípulos”. (1 Regra, IX, 6)
82. – “Se não puderes atender de outro modo as necessidades dos irmãos, despoja o altar da Virgem e tira-lhe os enfeites. Crê-me: ela ficará muito mais contente em ver o Evangelho de seu Filho observado e seu altar despojado, do que seu altar enfeitado e seu Filho desprezado”.(II Celano, 67)
Recorre à proteção dela
83. Francisco permaneceu algum tempo na dela igreja da Virgem Mãe de Deus, pedindo-lhe, com súplicas incessantes e contínuas, a graça de tornar-se o protegido dela.
(Boav., III, 1)
84. – Depois de Cristo colocava sua confiança em Maria e a escolheu como padroeira sua
e dos seus.(Boav., IX, 3)
85. – Francisco, estigmatizado, despediu-se do Alverne dizendo: “Adeus, Santa Maria dos Anjos do Alverne: – eu te recomendo estes meus filhos, ó Mãe do Verbo eterno”.
(Fioretti, ad. XX)
Santa franciscana do dia - 09/05 - Santa Catarina de Bolonha (1413-1463)
Virgem da Segunda Ordem (1413-1463). Canonizada por Clemente XI no dia 22 de maio de 1712.
Filha de Benvenuta Mamolim e de Giovani Vigri, Catarina nasceu em Bolonha no ano de 1413. Foi educada na corte de Ferrara, como dama de companhia de Margarida, filha de Nicolau III, marquês D’Este, a serviço de quem estava seu pai como diplomata. Aos treze anos de idade, após ter ficado órfã de pai e depois do casamento de Margarida com Roberto Malatesta de Rimini, Catarina decide-se pela vida religiosa.
Foi exatamente na corte de Ferrara, num ambiente moralmente deturpado, que a semente da vocação religiosa germinou no coração de Catarina. Deixando a mãe, uma irmã e um irmão, ingressou num mosteiro de Terciárias Agostinianas (1427) aos catorze anos. Era uma comunidade fundada por uma grande dama de Ferrara, tia Lúcia Mascaroni que na época a dirigia.
Durante sua permanência na corte de Ferrara, Catarina mantivera estreito contato com os Frades Menores da Observância no convento do Santo Espírito, onde recebia a orientação espiritual que solidificou o seu desejo de servir a Deus.
Percebendo que a comunidade na qual ingressara não vivia com radicalidade evangélica sua opção, sentia cada vez mais o anseio de que de comum acordo passassem a viver a Regra de Santa Clara, e que tivessem a orientação dos Observantes, cujo testemunho de vida sempre a impressionara. Com o apoio sincero e confiante da senhora Lúcia Mascaroni, depois de inúmeras dificuldades e vicissitudes motivadas por divisões internas do grupo de mulheres que viviam então no Mosteiro Corpus Christi, mas por influência decisiva de Catarina, adotam finalmente a Regra própria de Santa Clara.
O Papa Eugênio IV, em uma bula de abril de 1431, enviou algumas Clarissas de Mântua para que formassem as componentes da nova comunidade clariana, estimulando a exata observância da Regra no seu primitivo rigor, atendendo assim às santas aspirações de Catarina e das suas companheiras. Depois de algum tempo de aprofundamento neste estilo de vida – o que considerou como o seu noviciado – Catarina professou em 1432, com dezenove anos, a Regra de Santa Clara, pela qual tanto lutara.
Catarina era de saúde muito delicada, mas esquecia-se complemente de si mesma, impondo a si mesma os trabalhos mais pesados e difíceis para poupar as demais. Desempenhou muitas funções a serviço de sua comunidade, entre elas a de padeira e de enfermeira. Foi exemplar na humildade e na obediência, em meio a inúmeras tentações de rebelião e de desespero, durante boa parte de sua vida em Ferrara. Era sempre pródiga na caridade para com suas irmãs.
Dotada de uma inteligência e de uma sensibilidade e perspicácia únicas, destacou-se como grande escritora, poetisa, pintora e mística do renascimento italiano. Seu estilo literário é original, precioso para o estudo da própria língua italiana da época, no dialeto de sua região. Jamais quis aceitar o ofício de abadessa em Ferrara, mas foi longamente mestra de noviças. O seu livro “As Sete Armas Espirituais” é uma síntese belíssima de sua pedagogia espiritual.
Na perspectiva de realizar uma nova fundação em Bolonha, Catarina foi escolhida como abadessa, nas véspera da partida das fundadoras, em cujo grupo ela já se contava. O temor em relação à difícil missão que o Senhor lhe pedia fez com que adoecesse gravemente naquela noite, tanto que pensavam as Irmãs que não sobreviveria. Mas na manhã seguinte, como por um milagre, partia com quinze companheiras para Bolonha, numa viagem memorável, em carruagem adaptada como clausura, que o povo acompanhava ou aclamava com júbilo. É o ano de 1456. Em pouco tempo o número de Irmãs em Bolonha se vê multiplicado.
A fama de santidade de Catarina atrai muitas jovens. A própria mãe de Catarina e sua irmã se fazem clarissas. O Mosteiro Corpus Domini de Bolonha torna-se um verdadeiro centro espiritual naquela cidade de douta cultura. O número de Clarissas rapidamente chega a sessenta. Dentre as mais fiéis colaboradoras que Catarina teve no trabalho de implantação do ideal de Santa Clara, estão as Bem-aventuradas: Giovana Lambertini (+1476), Paula Mezzavaca (1426-1482) e Iluminata Bembo (+1496).
Todas elas ingressaram em Ferrara, antes da observância da Regra de Santa Clara; participaram do grupo que fundou o Mosteiro de Bolonha e foram exemplares em seu testemunho de vida. Iluminata foi a primeira biógrafa de Santa Catarina. Seu manuscrito “Espelho de Iluminação” conserva-se atualmente no Mosteiro Corpus Domini de Bolonha, com as obras pessoais de Catarina: As Armas necessárias às batalhas espirituais, Breviário, Tratado sobre o modo de comportar-se nas tentações, Regras de vida religiosa, Louvores e devoções, Cartas, Louvores espirituais e poesias, todos manuscritos autógrafos, alguns inéditos.
A partir de 1461, Catarina passa por períodos sucessivos de grave doença, até sua morte a 9 de março de 1463. Foi beatificada pelo Papa Clemente VII. Em 1712, Clemente XI declarou-a santa. Seu corpo se conserva incorrupto, em perfeito estado de conservação e flexível, na Igreja do Mosteiro Corpus Domini. Está sentada, com a Regra de Santa Clara nas mãos. É um dos casos mais interessantes na história! A festa de Santa Catarina se celebra no dia 9 de maio.
BIBLIOGRAFIA:
LAINATI, Chiara Augusta – Temi Spirituali dagli Scritti del Secondo Ordine Francescano. Santa Maria degli Angeli, Assisi 1970.
RICCIARDI, Renzo, Santa Caterine da Bologne Scuola Grafica Salesiana, Bologna 1970
MUCCIOLI, Maurizio – Santa Caterine da Bologne – M¡stica del Quattrocento. Antoniano Ed Nigrizia. Bologna 1963
terça-feira, 8 de maio de 2018
08/05 - Imaculado Coração de Maria
A devoção ao Coração de Maria começou já no início da Igreja, desenvolvendo-se na Idade Média. Com as aparições em Fátima, ganhou grande destaque. A devoção ao Coração de Maria está associada à devoção ao Coração de Jesus, pois esses Dois Corações se uniram no Mistério da Encarnação, Paixão e Morte do Verbo Encarnado.
Honrar o Coração de Maria é honrar o Coração que foi preparado por Deus para ser uma digna morada do Espírito Santo, que formaria a seu tempo o Redentor no ventre imaculado da Virgem Maria.
Esta devoção ao Coração de Maria é devoção à própria Mãe de Jesus. É também veneração dos santos sentimentos e afetos, a ardente caridade de Maria para com Deus, para com seu Filho e para com todos os homens, que lhe foram confiados solenemente por Jesus agonizante.
Assim, louvamos e agradecemos a Deus por nos haver dado por Mãe e intercessora Aquela que acreditou.
No dia 8 de maio, ao meio-dia, recita-se a súplica à Bem-aventurada Virgem do Rosário. A mensagem de Fátima pede: oração, penitência, vida cristã, recitação do Rosário, pureza de costumes, vida de adesão ao Evangelho.
sexta-feira, 4 de maio de 2018
Artigo - 1ª sexta do mês: Diante d’Aquele que nos cativa.
Frei Almir Guimarães
Nas primeiras sextas-feiras de cada mês, sempre nos colocamos de maneira nova diante do Coração Adorável do Senhor Jesus. Olhamos primeiramente para o peito aberto, mas atingimos o mais íntimo desse que nos cativa, esse Jesus do lado aberto!
Ele é o Vivo, o Presente, o Ressuscitado. Se colocamos o olhar nas chagas do crucificado, não paramos na cruz de ontem. Ele, o Vivo, está entre nós. Não podemos nos fixar apenas nas verdades dogmáticas e frias a respeito do Mestre. Karl Lehmann, teólogo alemão, afirmou: “O homem moderno só será crente quanto tiver feito uma autêntica experiência de adesão à pessoa de Jesus”. Trata-se de conservar viva em cada um de nós uma atitude de escuta. Os evangelistas colocaram nos lábios do Pai esta declaração: “Este é o meu Filho no qual coloquei todo meu apreço. Escutai-o”.
Cada um de nós haverá de colocar-se diante de Jesus, deixar-se olhar diretamente por ele, diante de alguém que dá um sentido radical à vida. Colocar-se atentamente diante de Jesus significa acreditar que somente ele pode responder aos nossos desejos mais íntimos e mais profundos.
Tantos caminhos a serem percorridos! Viagem ao fundo do coração para conhecer aquilo que nos falta, que pode nos encher de vida. Momentos de silêncio, de quietude profunda, sobretudo silêncio de nossos loucos desejos e planos pequenos e egoístas. Desligar em nós o que provoca ensurdecimento profundo. Percorrer o Sermão da Montanha. Examinar regularmente a consciência para saber se andamos escutando a voz do Filho Amado. Tentativa incessante de encontrar vestígios do Amado nos nas existências despedaçadas de tantos ao nosso redor. Escutar o Filho Amado que não está nas secas formulações doutrinárias mas anda falando no coração dessa vida que o Altíssimo nos faz viver.
G. Hourdin, num editorial de um jornal católico francês, escrevia: “O homem está se tornando incapaz de querer, de ser livre, de julgar por si mesmo, de mudar seu modo de vida. Está se convertendo num robô disciplinado que trabalha para ganhar dinheiro que depois desfrutará numas férias coletivas. Lê as revistas da moda, vê os programas de TV que todo mundo vê”. Um robô que não é capaz de pensar por si e de escutar o som da voz daquele que deixou que o soldado lhe abrisse peito. Aquele que nos fala por meio de inspirações interiores, pelos sinais dos tempos e por seu peito aberto.
José Antonio Pagola coroa nossa reflexão: “Mais do que nunca devemos atender ao apelo evangélico: ‘Este é o meu Filho amado, de quem me agrado. Escutai-o.’ Devemos parar, fazer silêncio e escutar mais a Deus revelado em Jesus. Esta escuta interior ajuda a viver a verdade, saborear a vida em suas raízes, e não esbanja-la de qualquer maneira, e não passar superficialmente diante do essencial. Escutando a Deus encarnado em Jesus descobrimos nossa pequenez e pobreza, mas também nossa grandeza de seres amados infinitamente por ele” (Pagola, Mateus p. 217).
Continuamos a nos deixar fascinar por aquele que fez de seu coração uma fonte de vida e de esperança.
quinta-feira, 3 de maio de 2018
Especial - Maio, Mês de Maria, Mãe do Redentor
A comunhão de Maria com a Humanidade
Frei José Carlos Correa Pedroso
Além da Antífona de Nossa Senhora, do Ofício da Paixão, vamos ler outra oração dedicada à Mãe de Deus:
Salve, ó senhora, Rainha santa, Mãe santa de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita Igreja, e escolhida pelo santíssimo Pai celestial, que vos consagrou com seu santíssimo e dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito! Em vós residiu e reside toda a plenitude da graça e todo o bem! Salve, ó palácio do Senhor! Salve, ó tabernáculo do Senhor! Salve, ó morada do Senhor! Salve, ó manto do Senhor! Salve, ó serva do Senhor! Salve, ó Mãe do Senhor, e salve vós todas, ó santas virtudes, derramadas, pela graça e iluminação do Espírito Santo, nos corações dos fiéis, transformando-os de infiéis em fiéis do Senhor! (Saudação à Mãe de Deus).
Chamar Nossa Senhora de Virgem feita Igreja é uma das maiores originalidades de São Francisco e demonstra que a viu realmente como uma imagem do Povo de Deus:
Como o povo de Israel, que Deus escolheu entre os mais desconhecidos da terra, Maria era uma virgem quando o Senhor a escolheu: na cultura antiga, não sendo homem nem sendo a mãe ou a esposa de alguém, era fraca, não tinha importância, era nada.
Mas ela foi feita cheia de graça por pura bondade do Senhor, como o povo que era escravo no Egito, e Deus assumiu como sua esposa.
E ela foi a primeira dentro de todo o Povo a receber a plenitude da vida de Deus, essa vida trinitária que Ele quer que chegue a todos.
Nela ficou claro que toda essa união com a divindade transforma-a, eleva-a, mas não absorve sua personalidade nem a tira de sua normalidade, como deve acontecer com todo o povo.
Como deve acontecer com todo o Povo, ela se tornou um novo cristo, uma colaboradora no anúncio do Bem (começou com Isabel, passou por Caná, acompanhou Jesus pobre, foi para a casa de João...).
Por tudo isso, como lembra o magnífico capítulo 8 da Lumen Gentium, Maria merece, muito mais que Eva, ser chamada a "Mãe dos Viventes". Francisco preferiu chamá-la Virgem feita Igreja.
Somos nós que temos que fazer o Povo do nosso tempo ir sendo transformado numa Igreja feita Maria. É o nosso campo de trabalho: nossas ações diárias são capazes de construir a comunhão da humanidade.
Para Francisco, Maria é um ponto de chegada muito claro para o Povo: nós vamos ser aquela esposa descendo do céu coroada com doze estrelas. Ele lembrou isso no cântico Ouvi, pobrezinhas!, que escreveu para as clarissas: Porque cada urna será rainha no céu, coroada com a Virgem Maria!
E também o propôs como o ponto mais alto a alcançar no Cântico de Frei Sol: Bem-aventurados os que as suportam em paz, que por vós, Altíssimo, serão coroados!
Mas Francisco e Clara ainda viram Maria como o Povo evangelizador, que assumiu ser o Cristo místico. Viram-na como peregrina acompanhando Jesus pelo mundo, pobre e vivendo de esmola.
Por isso, o Fundador também a fez Advogada da Ordem e pediu que os frades nunca abandonassem a Porciúncula, a casa de Nossa Senhora em que a Ordem nasceu.
A humanidade vai se realizar quando for a Cidade de Deus. Maria é a figura dessa Pátria total e definitiva.
Frei José Carlos Correa Pedroso é capuchinho, do Centro Franciscano de Espiritualidade de Piracicaba (SP)
terça-feira, 1 de maio de 2018
Especial - Maio, Mês de Maria, Mãe do Redentor
Apresentação:
A mais famosa imagem de São Francisco (abaixo), produzida pelo pintor italiano Cimabue, mostra, não por acaso, o santo ao lado de Nossa Senhora. Maria está no centro da devoção franciscana, tanto que a Ordem dos Frades Menores tem origem na pequena capelinha Santa Maria dos Anjos, ou em Porciúncula, que se conservou através dos séculos como foco da piedade francisclariana.
Prova da veneração de São Francisco de Assis é a belíssima "Saudação à Mãe de Deus":
Salve, ó senhora,
Rainha santa,
Mãe santa de Deus,
ó Maria,
que sois Virgem feita Igreja,
e escolhida pelo santíssimo Pai celestial,
que vos consagrou com seu santíssimo e dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito!
Em vós residiu e reside toda a plenitude da graça
e todo o bem!
Salve, ó palácio do Senhor!
Salve, ó tabernáculo do Senhor!
Salve, ó morada do Senhor!
Salve, ó manto do Senhor!
Salve, ó serva do Senhor!
Salve, ó Mãe do Senhor,
e salve vós todas, ó santas virtudes, derramadas, pela graça e iluminação do Espírito Santo, nos corações dos fiéis, transformando-os de infiéis em fiéis do Senhor!
Neste mês de maio, oferecemos um Especial sobre esta devoção mariana, indicando nas fontes franciscanas os textos que falam da Mãe de Deus.
De Frei José Carlos Correa Pedroso, um mestre da espiritualidade franciscana, escolhemos "Maria em comunhão com a humanidade":
Segundo Frei José, o Fundador da Ordem dos Frades Menores fez de Maria a "Advogada da Ordem e pediu que os frades nunca abandonassem a Porciúncula, a casa de Nossa Senhora em que a Ordem nasceu".
O título deste Especial foi emprestado da Encíclica de João Paulo II, "Redemptoris Mater", sobre o significado que Maria tem no mistério de Cristo e sobre a sua presença ativa e exemplar na vida da Igreja.
O saudoso Ministro Geral, Frei Constantino Koser, ressalta que São Francisco não é apenas um santo muito devoto, muito afeiçoado à Mãe de Deus, mas é um dos santos em que a piedade mariana aparece numa floração original e singular, sem contudo se afastar, por pouco que seja, das linhas marcadas pela Igreja.
Frei Hugo Baggio observa que quem conhece os trabalhos do Vaticano II está ao par das tentativas de recuperar a mulher, seu papel e sua influência, e conseqüentemente dar-lhe um lugar de igualdade dentro dos parâmetros sociais. Esforço digno de nota de trazê-la da periferia para o centro da vida, embasando, assim, todo o movimento em prol da mulher desenvolvido nas últimas décadas, na tentativa de acabar com a discriminação. "Interessante observar que também neste particular Francisco de Assis deixou sua influência e agiu de forma concreta e prática", atesta o franciscano. A téologa Lina Boff assinala que a força da piedade popular levou a Igreja a proclamar o dogma da Imaculada Conceição.
Jesus Espeja diz que, como cristãos, temos motivos de sobra para celebrar Maria como "rainha e senhora", mas corremos o risco de esquecer a história daquela mulher simples que viveu num pequeno povoado de uma região periférica no mundo daquele tempo. Maria de Nazaré é alguém de nossa raça. Como os demais seres humanos, nasceu e viveu num contexto histórico, social, econômico, político e cultural.
Um texto da Campanha da Fraternidade de 1990 lembra que o livro do Gênesis denunciava Eva como causa do pecado original, colocando sobre todo o sexo feminino um fardo difícil de carregar, e que Maria é proclamada bem-aventurada, imaculada, sem pecado.
Do Catecismo Católico, escolhemos o texto que comenta a Oração da Ave Maria. E apresentamos um texto sobre a iconografia mariana, o mesmo tema nas artes e as orações.
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