segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

LEITURA ESPIRITUAL - Que sentido damos ao sofrimento?


Por Frei Almir Guimarães

Neste tempo da Quaresma convém refletir sobre nossos limites e nossas fragilidades. Afinal de contas que sentido andamos dando aos sofrimentos que nos ocorrem?



Normal que nos sintamos preocupados, quase desesperados quando tomamos consciência de determinadas limitações que nos advêm. Pensamos numa enfermidade, no rompimento de um casamento,  na morte de pessoas muito próximas.  Tudo isso leva-nos a sentir quão grande é nossa fragilidade. Há pessoas que, nestas condições, sentem-se inúteis, tomadas de angústia sobretudo quando pensam no futuro, de modo muito  especial os que são tomados por graves enfermidades. Em tais ocasiões discursos incitando-nos à resignação, à “aceitação da vontade de Deus” ou a respeito do valor redentor do sofrimento não nos atingem. Por vezes é preciso percorrer um caminho extenuante antes de vislumbrar qualquer sentido para os sofrimentos que chegam, alguns que permanecem para sempre.

O que dá sentido ao sofrimento não é o fato de sofrer, mas a dificuldade de continuar amando a partir de uma situação de sofrimento. O que dá sentido ao sofrimento, como aquilo que dá sentido à vida, é permanecer em relação com os outros, continuar tentando se  interessar por eles evitando o fechamento do coração.    Tocamos, nesse aspecto, o mistério de cada pessoa. Não existe receita mágica válida para todos.

Deus não se regozija com o sofrimento dos mortais.  Podemos dizer que ele lhes dá alívio. Normalmente, ele o faz através das pessoas que cercam aquele que é presa de um sofrimento. Ele dá uma força para que sejamos capazes de esperar e dar um sentido ao que vivemos.  Isso não acontece magicamente. Tudo vai depender  das etapas da vida que atravessamos, de nossa patologia e do nosso caminhar espiritual.  Necessário paciência e respeito na lenta elaboração de um sentido. As mais das vezes não encontramos as palavras mais adequadas para exprimir o que nos aflige e para consolar os que sofrem. Há medos difíceis de serem verbalizados. A experiência diz que muitas vezes nos encontramos sozinhos com nosso sofrimento, mesmo com o empenho generoso daqueles que nos cercam.  Há momentos em que somos capazes de “suportar”, sem desesperar, nada mais: ou seja, conviver com o sofrimento. Em todo esse caminho descobrimos que existe em nós reservas de vitalidade, de vida que até então não havíamos suspeitado.

Há doentes que confessam que encontram sentido em seu sofrimento na medida em que os oferecem pelos outros.  Contemplando Cristo na cruz, oferecem-se por eles para que possam ter vida. Fazem assim sem deixar de pedir o próprio restabelecimento. Como entender esta expressão: “Oferecer os próprios sofrimentos”?  Muitas vezes, é bem verdade, nada se tem a oferecer senão a própria impotência, como Jó na Bíblia. Em outros momentos oferecer os sofrimentos poderá significar balbucios de confiança ou um frágil desejo de amar.  Em todo caso nunca será questão de alcançar graça por meio de sofrimentos. A graça não se merece.  Não se trata de resgate a pagar nem de sofrimento a ser buscado. Não é essa a oferenda que agrada ao Senhor.

Podemos começar tentando aceitar a situação que se passou a viver e evitar manifestações e sentimentos de revolta, deixando também sentimentos de culpabilidade.  Não centrar tudo unicamente em nossa fragilidade, quando se é submergido pela dor. Não nos fecharmos em nós mesmos. Um passo adiante:  um abertura de coração, muitas vezes tímida, poderá  fazer com  que abandonemos a obsessão  pela cura a todo preço. Claro que tal vai depender do grau de sofrimento que se vive e da desumanização que se experimenta.

A saída do isolamento só é possível para um paciente  na medida em que ele é auxiliado por pessoas que o visitam e conversam delicadamente com ele.

Há, é claro, a oração, o estar com Cristo, haurir do coração de Deus coragem e capacidade de amar. Pelo fato de Jesus nos ter salvo, não   quer dizer que o fez pela quantidade de sofrimento.  Semelhantemente os que sofrem de enfermidade aceitam de alguma forma serem vítimas em solidariedade com a humanidade pecadora e sofredora. No meio de dores e sofrimento nem sempre é fácil rezar.

Há pessoas que optam por um comportamento de intercessão inspirado nos comportamentos de Maria. Ela, exemplo para nós,  esteve ao pé da cruz.


Alguém pode dizer: “Ofereço meu sofrimento pelo mundo”. Não se deve esquecer que é a qualidade de amor que torna nossa oferenda agradável a Deus e não o sofrimento em si mesmo. Podemos assim, com nosso consentimento, entrar no mistério da comunhão dos santos, quer dizer, esta solidariedade na luta contra o mal com as forças do amor,  num mistério de transfiguração do mundo. Podemos descobrir, para surpresa nossa,  que nossa maneira de viver pode ser fecunda para os outros na medida em que conservamos a fé, a abertura do coração e a acolhida do sofrimento dos outros. Poder continuar a  comunicar e dar amor aos outros  é a graça a ser suplicada. Tal dom redunda em graças para os outros. Pessoas sadias se solidarizam com doentes e vivem a dor do que sofre. Sabemos que não é fácil continuar interessando-se pelos outros quando nos sentimos fragilizados.

Nesse contexto cabe lembrar uma experiência feita por muitos.  Encontramos pessoas que, pela qualidade de escuta, acolhimento e maneira de olhar, adivinhamos que tenham enfrentado sérios sofrimentos.  Tais pessoas, passada a tormenta, não são mais capazes de julgar. Descobrem que sua real fecundidade não provém em primeiro lugar de suas competências, diplomas ou dons visíveis, mas às suas feridas, na medida em que elas foram aceitas e por vezes curadas.  O sofrimento faz com que compreendam a sua vida e a dos outros.  A qualidade de escuta, compaixão, ternura paciência que experimentam torna-se  fonte de vida para os outros.

Amar até o ponto de “rasgar-se”, num rasgão que não é mais uma ferida purulenta. Assim, aos poucos podemos ir entrando numa transfiguração de amor, em renovação da aliança, que é muito mais do que um amor de contabilidade, “dou se deres”, rumo  a um amor gratuito. Esse pode ser também caminho de renovação da aliança com o  Bem Amado. Nesse momento, os valores mudança. Aquilo que, no passado, nos parecia tão valioso transforma-se em coisa efêmera.

Tudo que acaba de ser escrito não é evidente, nem previsível.  Ninguém sabe como vai assumir a fragilidade e a diminuição de suas capacidades. Há muitos itinerários e experiências. Cada um deve percorrer seu caminho, como ele pode. Muitas pessoas não conseguem sucesso.  Permanecem na revolta e no desespero. Precisam nesse momento de um respeitoso silêncio e de acolhimento e não de vãs palavras.

Esta reflexão inspirou-se fortemente em
Bernard Ugeux
Traverser nos fragilités
Les Éditions de l’Atelier
Paris  2006, p. 39-42

Santo franciscano do dia - 13/02 - São Francisco de Meaco



Da Terceira Ordem Franciscana, mártir japonês (1551-1597). Canonizado por Pio IX a 8 de julho de 1862. 


Francisco, de nacionalidade japonesa e pais pagãos, nasceu em Meaco em 1551. A família fê-lo estudar medicina, que ele chegou a exercer na sua terra, com grande satisfação dos pacientes. Quando, em 1593, chegou das Filipinas São Pedro Batista com cinco irmãos franciscanos, empreenderam uma vasta obra de evangelização, construindo igrejas, fundando hospitais e outras instituições de assistência a doentes e leprosos. O Doutor Francisco, como médico, ficou impressionado com essa atividade sócio caritativa que teve oportunidade de conhecer e admirar pessoalmente e, também, com a sua frutuosa pregação evangélica.

Após madura reflexão, e um período de catecumenato, pediu o batismo, que recebeu solenemente na presença apenas de pessoas que tinham recebido dele assistência médica. Isto causou profunda impressão. Depois pediu e obteve permissão de ser recebido na Terceira Ordem. E, desde então, passou a prestar assistência gratuita aos doentes nos hospitais fundados pelos missionários. Tornou-se, assim, o “bom samaritano” da missão, tratando os doentes com dedicação e alegria, por reconhecer neles a imagem de Deus, e recordando a afirmação de Jesus no Evangelho, de que Cristo considera como feito a ele o que se faz ao mais humilde dos irmãos.

Ao desencadear-se a perseguição religiosa de 1596, em 31 de dezembro, foi preso em Meaco, num momento em que tratava dos doentes. Por isso, disse aos soldados: “Sou médico e cristão. Todos aqui me consideram e chamam ‘médico dos pobres’. Tenho orgulho dessa denominação. Sempre procurei fazer bem à nossa gente e, se me permitirem, quero continuar a fazê-lo. Mas, como seguidor de Cristo e do seu Evangelho, quero declarar que não há força no mundo, nem sequer a morte, que me faça vacilar na fé”.

Conduzido com outros cristãos intrépidos, foi com eles crucificado em Nagasaki, em 5 de fevereiro de 1597.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Angelus com o Papa: não instrumentalizar a autoridade de Deus.



Cidade do Vaticano (RV) – O Papa rezou o Angelus com os fiéis e peregrinos neste domingo (12/02), na Praça São Pedro. A partir do Evangelho do dia, Francisco falou sobre Jesus que analisa três aspectos difíceis em que, todavia, é possível realizar plenamente a vontade de Deus "sem cair em formalismos": o homicídio, o adultério e o juramento.

“Aquilo que foi dito na antiga aliança não era tudo: Jesus veio para cumprir e promulgar de maneira definitiva a lei de Deus. Ele manifesta a finalidade original e preenche os aspectos autênticos”, disse o Papa

“Não matarás”

Sobre o mandamento “não matarás”, Jesus afirma que este é violado não somente pelo homicídio efetivo, mas também por aqueles comportamentos que ofendem a dignidade da pessoa humana, incluídas as palavras injuriosas. Claro – prosseguiu o Papa – esta não têm a mesma gravidade e culpabilidade do assassínio, mas se colocam na mesma linha, porque são premissas deste e revelam a mesma maldade.

“Jesus nos convida a não estabelecer uma graduação das ofensas, mas a considerá-las todas danosas, já que partem da intenção de fazer mal ao próximo”, pediu o Pontífice.

Adultério

Uma outra realização é trazida à lei matrimonial. O adultério era considerado uma violação do direito de propriedade do homem sobre a mulher. Jesus, ao contrário – destacou Francisco – vai à raiz do mal. Assim como se chega ao homicídio por meio de injúrias e ofensas, também se chega ao adultério com as intenções de posse em relação a uma mulher que não é a própria esposa.
“O adultério, como o furto, a corrupção e todos os outros pecados, são antes concebidos em nosso íntimo e, uma vez realizada no coração a escolha errada, ganham forma no comportamento concreto”, apontou o Papa.

Juramento, sinal de insegurança

Jesus ainda diz aos seus discípulos de não jurar, já que o juramento é sinal da insegurança e da duplicidade com as quais se desenrolam as relações humanas - disse o Papa.
“Se instrumentaliza a autoridade de Deus para dar garantia às nossas coisas humanas. Em vez, somos chamados a instaurar entre nós, nas nossas famílias e nas nossas comunidades um clima de clareza e confiança recíproca, para sermos sinceros sem recorrer a intervenções superiores para sermos credíveis. A desconfiança e a suspeita recíproca sempre ameaçam a serenidade!”, concluiu Francisco.


Leia na Íntegra
Caros irmãos e irmãs, bom dia!

A liturgia do dia nos apresenta uma outra página do discurso da montanha, que encontramos no evangelho de Mateus. Neste trecho, Jesus quer ajudar que O escuta a realizar uma releitura da lei de Moisés. Aquilo que foi dito na antiga aliança não era tudo: Jesus veio para cumprir e promulgar de maneira definitiva a lei de Deus. Ele manifesta a finalidade original e preenche os aspectos autênticos, e faz tudo isso com sua pregação e mais ainda com a entrega de si mesmo na cruz. Assim, Jesus ensina como realizar completamente a vontade de Deus, com uma “justiça superior” diante daquela dos escribas e fariseus. Uma justiça animada pelo amor, pela caridade, pela misericórdia, e por isso capaz de realizar a substância dos mandamentos, evitando o risco do formalismo.
De modo particular, no Evangelho de hoje Jesus analisa três aspectos: o homicídio, o adultério e o juramento.

Sobre o mandamento “não matarás”, Ele afirma que é violado não somente pelo homicídio efetivo, mas também por aqueles comportamentos que ofendem a dignidade da pessoa humana, incluídas as palavras injuriosas. Claro, esta não têm a mesma gravidade e culpabilidade do assassínio, mas se colocam na mesma linha, porque são premissas deste e revelam a mesma maldade. Jesus nos convida a não estabelecer uma graduação das ofensas, mas a considerá-las todas danosas, já que partem da intenção de fazer mal ao próximo.

Uma outra realização é trazida à lei matrimonial. O adultério era considerado uma violação do direito de propriedade do homem sobre a mulher. Jesus, ao contrário, vai à raiz do mal. Assim como se chega ao homicídio por meio de injúrias e ofensas, também se chega ao adultério com as intenções de posse em relação a uma mulher que não é a própria esposa. O adultério, como o furto, a corrupção e todos os outros pecados, são antes concebidos em nosso íntimo e, uma vez realizada no coração a escolha errada, ganham forma no comportamento concreto.

Jesus ainda diz aos seus discípulos de não jurar, já que o juramento é sinal da insegurança e da duplicidade com as quais se desenrolam as relações humanas. Se instrumentaliza a autoridade de Deus para dar garantia às nossas coisas humanas. Em vez, somos chamados a instaurar entre nós, nas nossas famílias e nas nossas comunidades um clima de clareza e confiança recíproca, para sermos sinceros sem recorrer a intervenções superiores para sermos credíveis. A desconfiança e a suspeita recíproca sempre ameaçam a serenidade!

Que Nossa Senhora, mulher da doce escuta e da obediência jubilosa, nos ajude a nos aproximarmos sempre mais ao Evangelho, para sermos cristãos não “de fachada”, mas de substância! E isso é possível com a graça do Espírito Santo, que nos permite de fazer tudo com amor, e assim realizar totalmente a vontade de Deus.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma.



Acompanhe abaixo a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2017.

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão.

1. O outro é um dom

A parábola inicia com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se solevar, jaz à porta do rico na esperança de comer as migalhas que caem da mesa dele, tem o corpo coberto de chagas, que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio, com o homem degradado e humilhado.

A cena revela-se ainda mais dramática, quando se considera que o pobre se chama Lázaro, um nome muito promissor pois significa, literalmente, «Deus ajuda». Não se trata duma pessoa anónima; antes, tem traços muito concretos e aparece como um indivíduo a quem podemos atribuir uma história pessoal. Enquanto Lázaro é como que invisível para o rico, a nossos olhos aparece como um ser conhecido e quase de família, torna-se um rosto; e, como tal, é um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer, com gratidão, o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que se cruza connosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.


2. O pecado cega-nos

A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que vive o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas, de um luxo exagerado, que usa. De fato, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso se reservava para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, inclusive porque exibida habitualmente: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).

O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e uma fonte de invejas, contendas e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 55). Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz.

Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico fá-lo vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência serve de máscara para o seu vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).

O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição dum deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não caiem sob a alçada do seu olhar. Assim o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.

Olhando para esta figura, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

3. A Palavra é um dom

O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De fato, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no Além. Dum momento para o outro, os dois personagens descobrem que nós «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).

Também o nosso olhar se abre para o Além, onde o rico tece um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se disse da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida, não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.

Só no meio dos tormentos do Além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No Além, restabelece-se uma certa equidade, e os males da vida são contrabalançados pelo bem.

Mas a parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De fato o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E, à sucessiva objeção do rico, acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).

Deste modo se patenteia o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que, nos quarenta dias passados no deserto, venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, inclusive participando nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.

Vaticano, 18 de outubro de 2016.

Festa do Evangelista São Lucas

Santo Franciscano do dia - 10/02 - São Gil Maria de São José


Religioso da Primeira Ordem (1729-1812). Canonizado por São João Paulo II no dia 2 de junho de 1996. 


Nasceu a 16 de novembro de 1729, em Tarento, numa modesta família de lavradores. Desde criança se distinguiu pela piedade. Aos dez anos, empregou-se numa pequena fazenda, onde granjeou o afeto de todos.

Todas as manhãs, antes do trabalho, ia à Missa, comungava, e ficava algum tempo em oração. O seu trabalho infantil destinava-se a ajudar a família, e teve de aumentar com a morte do pai. Só quando a mãe casou pela segunda vez, ele se sentiu livre desse encargo familiar e pôde realizar o velho sonho de se fazer franciscano.

Em 1754, com a idade de 24 anos, entrou para o noviciado no convento de Galatone e, depois da profissão, foi transferido para o convento de São Pascoal de Nápoles, onde desempenhou os ofícios de cozinheiro, porteiro e, durante 50 anos, de esmoleiro do convento. Dessa humilde tarefa fez uma atividade apostólica, levando a muita gente a alegre mensagem evangélica.

Vida humilde e oculta, de silêncio e oração, de amor ativo e serviço aos irmãos, aos pobres a necessitados, foram seus carismas. A sua presença era apreciada e requisitada à cabeceira dos enfermos e moribundos, a quem preparava para receberem os sacramentos e para uma morte santa. O povo napolitano rodeou-o de veneração e simpatia pela sua mansidão e pelos milagres que o Senhor, por meio dele, realizava com uma relíquia de São Pacoal, que sempre trazia consigo. Também se distinguiu pela devoção para com a Eucaristia e para com a Virgem Maria.

Morreu em Nápoles a 7 de fevereiro de 1812, com 83 anos de idade. Aos irmãos, que lhe assistiam no leito moribundo, disse ao morrer: “Vou para a minha casa! Maria, minha mãe, e São José, conduzi-me ao paraíso, para junto de Jesus”.

Os seus restos mortais tiveram de ficar cinco dias expostos à veneração dos fiéis, que ainda hoje o continuam a venerar com grande devoção.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Mensagem do Papa para Jornada Mundial do Enfermo.



Por ocasião da XXV Jornada Mundial do Enfermo

“Admiração pelo que Deus faz: “o Todo-Poderoso fez em mim maravilhas” (Lc 1, 49)

Queridos irmãos e irmãs,

No próximo dia 11 de fevereiro, celebrar-se-á em toda a Igreja, e de forma particular em Lourdes, a XXV Jornada Mundial do Doente, sob o tema: «Admiração pelo que Deus faz: “o Todo-Poderoso fez em mim maravilhas” (Lc 1, 49)». Instituída pelo meu predecessor São João Paulo II em 1992 e celebrada a primeira vez precisamente em Lourdes no dia 11 de fevereiro de 1993, tal Jornada dá ocasião para se prestar especial atenção à condição dos doentes e, mais em geral, a todos os atribulados; ao mesmo tempo convida quem se prodigaliza em seu favor, a começar pelos familiares, profissionais de saúde e voluntários, a dar graças pela vocação recebida do Senhor para acompanhar os irmãos doentes. Além disso, esta recorrência renova, na Igreja, o vigor espiritual para desempenhar sempre da melhor forma a parte fundamental da sua missão que engloba o serviço aos últimos, aos enfermos, aos atribulados, aos excluídos e aos marginalizados (cf. João Paulo II, Motu proprio Dolentium hominum, 11 de fevereiro de 1985, 1). Com certeza, os momentos de oração, as Liturgias Eucarísticas e da Unção dos Enfermos, a interajuda aos doentes e os aprofundamentos bioéticos e teológico-pastorais que se realizarão em Lourdes, naqueles dias, prestarão uma nova e importante contribuição para tal serviço.

Sentindo-me desde agora presente espiritualmente na Gruta de Massabiel, diante da imagem da Virgem Imaculada, em quem o Todo-Poderoso fez maravilhas em prol da redenção da humanidade, desejo manifestar a minha proximidade a todos vós, irmãos e irmãs que viveis a experiência do sofrimento, e às vossas famílias, bem como o meu apreço a quantos, nas mais variadas tarefas de todas as estruturas sanitárias espalhadas pelo mundo, com competência, responsabilidade e dedicação se ocupam das melhoras, cuidados e bem-estar diário de todos vós. Desejo encorajar-vos a todos – doentes, atribulados, médicos, enfermeiros, familiares, voluntários – a olhar Maria, Saúde dos Enfermos, como a garante da ternura de Deus por todo o ser humano e o modelo de abandono à vontade divina; e encorajar-vos também a encontrar sempre na fé, alimentada pela Palavra e os Sacramentos, a força para amar a Deus e aos irmãos mesmo na experiência da doença.

Como Santa Bernadete, estamos sob o olhar de Maria. A jovem humilde de Lourdes conta que a Virgem, por ela designada «a Bela Senhora», a fixava como se olha para uma pessoa. Estas palavras simples descrevem a plenitude dum relacionamento. Bernadete, pobre, analfabeta e doente, sente-se olhada por Maria como pessoa. A Bela Senhora fala-lhe com grande respeito, sem Se pôr a lastimar a sorte dela. Isto lembra-nos que cada doente é e permanece sempre um ser humano, e deve ser tratado como tal. Os doentes, tal como as pessoas com deficiências mesmo muito graves, têm a sua dignidade inalienável e a sua missão própria na vida, não se tornando jamais meros objetos, ainda que às vezes pareçam de todo passivos, mas, na realidade, nunca o são.

Bernardete, depois de estar na Gruta, graças à oração, transforma a sua fragilidade em apoio para os outros; graças ao amor, torna-se capaz de enriquecer o próximo e sobretudo oferece a sua vida pela salvação da humanidade. O fato de a Bela Senhora lhe pedir para rezar pelos pecadores lembra-nos que os doentes, os atribulados não abrigam em si mesmos apenas o desejo de curar, mas também o de viver cristãmente a sua existência, chegando a doá-la como autênticos discípulos missionários de Cristo. A Bernadete, Maria dá a vocação de servir os doentes e chama-a para ser Irmã da Caridade, uma missão que ela traduz numa medida tão elevada que se torna modelo que todo o profissional de saúde pode tomar como referência. Por isso, peçamos à Imaculada Conceição a graça de saber sempre relacionar-nos com o doente como uma pessoa que certamente precisa de ajuda – e, por vezes, até para as coisas mais elementares – mas também é portadora do seu próprio dom que deve partilhar com os outros.

O olhar de Maria, Consoladora dos aflitos, ilumina o rosto da Igreja no seu compromisso diário a favor dos necessitados e dos doentes. Os preciosos frutos desta solicitude da Igreja pelo mundo dos atribulados e doentes são motivo de agradecimento ao Senhor Jesus, que Se fez solidário conosco, obedecendo à vontade do Pai até à morte na cruz, para que a humanidade fosse redimida. A solidariedade de Cristo, Filho de Deus nascido de Maria, é a expressão da omnipotência misericordiosa de Deus que se manifesta na nossa vida – sobretudo quando é frágil, está ferida, humilhada, marginalizada, atribulada –, infundindo nela a força da esperança que nos faz levantar e sustenta.

Uma riqueza tão grande de humanidade e de fé não deve ficar perdida, mas sim ajudar-nos a enfrentar as nossas fraquezas humanas e, ao mesmo tempo, os desafios presentes em âmbito sanitário e tecnológico. Por ocasião da Jornada Mundial do Doente, podemos encontrar novo impulso a fim de contribuir para a difusão duma cultura respeitadora da vida, da saúde e do meio ambiente; encontrar um renovado impulso a fim de lutar pelo respeito da integridade e dignidade das pessoas, inclusive mediante uma abordagem correta das questões bioéticas, a tutela dos mais fracos e o cuidado pelo meio ambiente.

Por ocasião da XXV Jornada Mundial do Doente, reitero a minha proximidade feita de oração e encorajamento aos médicos, enfermeiros, voluntários e a todos os homens e mulheres consagrados comprometidos no serviço dos doentes e necessitados; às instituições eclesiais e civis que trabalham nesta área; e às famílias que cuidam amorosamente dos seus membros doentes. A todos, desejo que possam ser sempre sinais jubilosos da presença e do amor de Deus, imitando o testemunho luminoso de tantos amigos e amigas de Deus, dentre os quais recordo São João de Deus e São Camilo de Lélis, Padroeiros dos hospitais e dos profissionais de saúde, e Santa Teresa de Calcutá, missionária da ternura de Deus.

Irmãs e irmãos todos – doentes, profissionais de saúde e voluntários –, elevemos juntos a nossa oração a Maria, para que a sua materna intercessão sustente e acompanhe a nossa fé e nos obtenha de Cristo seu Filho a esperança no caminho da cura e da saúde, o sentido da fraternidade e da responsabilidade, o compromisso pelo desenvolvimento humano integral e a alegria da gratidão sempre que Ele nos maravilha com a sua fidelidade e a sua misericórdia:

Ó Maria, nossa Mãe,
que, em Cristo, acolheis a cada um de nós como filho,
sustentai a expectativa confiante do nosso coração,
socorrei-nos nas nossas enfermidades e tribulações,
guiai-nos para Cristo, vosso filho e nosso irmão,
e ajudai a confiarmo-nos ao Pai que faz maravilhas.

A todos vós, asseguro a minha recordação constante na oração e, de coração, concedo a Bênção Apostólica.

Vaticano, 8 de dezembro – Festa da Imaculada Conceição – de 2016.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Papa na Audiência: A esperança é fonte de conforto recíproco.



Cidade do Vaticano (RV) - A esperança é fonte de conforto recíproco: este foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (08/02), na Sala Paulo VI, no Vaticano
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Prosseguindo com a leitura da Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses, o Pontífice destacou que “a esperança cristã não tem somente um respiro pessoal, individual, mas comunitário, eclesial”.

“Não se aprende, sozinho, a esperar. Não é possível. A esperança, para se alimentar, precisa de um corpo, em que os vários membros se apoiam e se animam reciprocamente. Isto significa que esperamos, porque muitos irmãos e irmãs nos ensinaram a esperar e mantiveram viva a nossa esperança. Dentre eles se destacam os pequenos, os pobres, os simples e os marginalizados. Não conhece a esperança quem se fecha no próprio bem-estar. Espera somente em seu bem-estar e isso não é esperança. É segurança relativa”, disse Francisco.


Corpo solidário
“Quem espera são aqueles que experimentam a cada dia a provação, a precariedade e o próprio limite. Esses nossos irmãos nos dão o testemunho mais bonito, mais forte, porque permanecem firmes na confiança em Deus, sabendo que além da tristeza, da opressão e da inevitabilidade da morte, a última palavra será a sua, uma palavra de misericórdia, vida e paz”, sublinhou ainda o Santo Padre. 
Segundo o Papa, “a morada natural da esperança é um corpo solidário. No caso da esperança cristã, este corpo é a Igreja”.

“Os primeiros a serem chamados a alimentar a esperança são aqueles aos quais foram confiados o cuidado e a orientação pastoral; e não por serem melhores do que os outros, mas em virtude do ministério divino, que supera as suas próprias forças. Por isso eles têm tanta necessidade de respeito, de compreensão e do apoio benevolente de todos.”


Consolo
Francisco sublinhou que “o Apóstolo Paulo pede a nossa atenção aos irmãos e irmãs cuja esperança corre maior risco de cair no desespero”:

“Refere-se aos desanimados, os frágeis, os oprimidos pelo peso da vida e das próprias culpas que estão sem forças para se levantar. Nestes casos, a proximidade solidária e o calor da Igreja deve fazer-se ainda mais intenso e amoroso, sob as formas de compaixão, que não é ter piedade, mas sofrer com o outro, aproximar-se de quem sofre, conforto e consolo.”

Como escreve Paulo aos Romanos, «nós, os fortes, temos o dever de carregar as fraquezas dos que são frágeis e não procurar aquilo que nos agrada». “Este dever não está circunscrito aos membros da comunidade eclesial, mas estende-se a todo o contexto civil e social como apelo a não criar muros mas pontes, a não pagar o mal com o mal mas vencer o mal com o bem, a ofensa com o perdão, a viver em paz com todos. O cristão nunca deve dizer: Você vai me pagar! Este não é um gesto cristão! A ofensa é vencida com o perdão.”

Crime vergonhoso e intolerável: apelo do Papa contra o tráfico de pessoas.
 “Encorajo as pessoas que, de algum modo, ajudam os menores escravizados e abusados a se libertarem desta opressão. Auspicio aos que têm responsabilidade de governo que combatam com decisão esta chaga, dando voz aos nossos irmãos mais pequeninos, humilhados em sua dignidade. É preciso fazer todo esforço para debelar este crime vergonhoso e intolerável.”

Essa é a exortação do Papa no dia em que a Igreja reza e reflete sobre o tráfico de seres humanos, por ocasião da memória de Santa Josefina Bakhita, vítima do tráfico ainda quando criança.
“Esta jovem escravizada na África, explorada e humilhada não perdeu a esperança e levou adiante a fé e acabou por chegar como migrante na Europa. E ali sentiu o chamado do Senhor e se fez freira. Rezemos Santa Josefina por todos os migrantes, refugiados, explorados que sofrem tanto, tanto”, completou Papa Francisco.

Espírito Santo
“Esta é a Igreja e isto é o que realiza a esperança cristã, quando assume os traços fortes e, ao mesmo tempo, tenros do amor. O amor é forte e tenro. É belo! O sopro vital, a alma desta esperança é o Espírito Santo. Sem o Espírito Santo não há esperança. Ele é quem molda as nossas comunidades, num Pentecostes perene, como sinais vivos de esperança para a família humana”. 

No final da audiência, o Papa Francisco recordou que nesta terça-feira (07/02), foi beatificado em Osaka, no Japão, Justo Takayama Ukon, leigo japonês martirizado, em Manila, em 1615. “Ao invés de negar sua fé, renunciou a honrarias e privilégios, aceitando a humilhação e o exílio. Permaneceu fiel a Cristo e ao Evangelho. Por isso, é um grande exemplo de fortaleza na fé e dedicação na caridade”.

O Papa lembrou que no próximo sábado, Festa de Nossa Senhora de Lourdes, se realizará o 25º Dia Mundial do Enfermo. A celebração principal se realizará em Lourdes e será presidida pelo Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin. Francisco convidou a rezar, por intercessão da Santa Mãe de Deus, pelos doentes, especialmente os mais graves e sozinhos, e também por todos aqueles que cuidam deles. 

Fonte : http://br.radiovaticana.va/